Lula culpa Planalto por crise energética
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quinta-feira, 24 de maio de 2001
Agência FolhaDe Porto Alegre 
Deslumbrado com o extraordinário crescimento econômico da China, de onde regressa amanhã após uma visita oficial de 12 dias, o líder petista Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem que o Brasil deixará de crescer por irresponsabilidade do presidente Fernando Henrique Cardoso na gerência do setor energético.
Em entrevista por telefone à Rádio Gaúcha, de Porto Alegre, Lula criticou também o pré-candidato do PPS à Presidência, Ciro Gomes, por ter dito que a violação do painel eletrônico do Senado pelo senador Antônio Carlos Magalhães não é o mais grave dos fatos. Foi um crime contra a democracia. Não é um crime menor, é um crime grave contra o segredo do voto. Se o Ciro disse (que a falta não foi tão grave), minha crítica vale para ele, afirmou Lula.
Lula declarou que o PT e empresários alertaram, com antecedência, que era preciso investir na produção de energia, mas o governo preferiu usar os recursos para cumprir orientações do FMI (Fundo Monetário Internacional). Agora, em vez de ficar lamentando, chorando e acusando, era importante Fernando Henrique Cardoso ter humildade e chamar quem entende de energia para discutir a melhor saída para a crise, disse Lula, falando de Xangai.
O líder do PT lembrou que, por ocasião das privatizações no setor energético, defendia que o governo estabelecesse parcerias para construir hidrelétricas. Lamentavelmente, não fomos ouvidos e agora somos vítimas da irresponsabilidade do governo.
Lula, provável candidato do PT na eleição presidencial do ano que vem, afirmou que o Brasil deveria se inspirar na China. O modelo chinês, conforme o petista, é aberto ao capital multinacional, mas o Estado manteve a soberania e determina o planejamento. A China é o país que mais recebe investimentos estrangeiros, tem todas as grandes multinacionais construindo megaempreendimentos, mas o Estado não abriu mão de sua soberania e determina as prioridades. Lamentavelmente, o Estado brasileiro não planeja mais e não define prioridades.


