Lula critica ricos em discurso da Internacional Socialista
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segunda-feira, 27 de outubro de 2003
Agência Estado 
São Paulo - Num discurso com referências implícitas aos Estados Unidos e à Alca (Área de Livre Comércio das Américas), o presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, na abertura do 22º Congresso da Internacional Socialista, em São Paulo, que a soberania do país ''foi e é ameaçada''. ''Em nome de uma integração necessária do Brasil ao mundo, governantes tornaram nosso país extremamente vulnerável aos movimentos dos capitais especulativos e às pressões das forças políticas que os sustentam'', disse Lula no início do encontro dos principais partidos socialistas, social-democratas e trabalhistas do mundo, que termina amanhã.
Ontem o presidente completou 58 anos de idade. Também foi o dia do primeiro aniversário de sua eleição. Lula aproveitou o discurso para fazer uma espécie de balanço crítico da história da esquerda mundial, afirmando que o PT pertence ''a uma outra geração de partidos'' e quer enfrentar de forma ''não-dogmática os grandes desafios do país''.
De acordo com o presidente, ''importantes alternativas políticas se constróem sem dogmatismo, de forma plural, no respeito à diferença''. Ao citar o PT, ele disse que, ''nas derrotas do socialismo, sempre a desunião ocupou um lugar importante''. Completou: ''Nas vitórias, a unidade foi fundamental. Essa é também a experiência do meu partido''.
É a primeira vez que um encontro da Internacional ocorre no Brasil. Ele se dá num momento em que o poder de influência da organização no debate mundial é contestado pela própria esquerda. O encontro busca debater o papel da esquerda hoje.
Para a platéia de esquerda, o presidente voltou a questionar a posição dos países desenvolvidos nas negociações comerciais. Sem citar os EUA, disse que ''há países que pregam o livre comércio, mas praticam intensamente o protecionismo''. ''Querem tarifa zero nas relações comerciais, mas não abrem mão de subsídios, que hoje alcançam US$ 1 bilhão por dia. Querem liberalizar serviços, investimentos, propriedade intelectual e compras governamentais, mas utilizam cotas e medidas antidumping para proteger setores ineficientes das economias.''
No único momento em que fez referência explícita aos EUA, o presidente disse que seu governo conseguiu manter ''um relacionamento equilibrado e mutuamente respeitoso com os Estados Unidos e a União Européia''. O presidente voltou a defender uma reestruturação da ONU (Organização das Nações Unidas).
Lula afirmou ainda que, diferentemente de dirigentes que vão para o exterior após deixar o poder, ele não pensa em sair do Brasil. ''Quando terminar o meu mandato, eu vou voltar a morar a 600 metros do sindicato dos metalúrgicos. Pretendo continuar indo para porta de fábrica, participando dos movimentos populares, porque a minha história está ligada a esses movimentos.''


