Lula critica pedido de ajuda ao FMI
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terça-feira, 29 de setembro de 1998
Kelly Lima Agência Estado 
O candidato à Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, criticou ontem em Ribeirão Preto (SP), a postura do presidente Fernando Henrique Cardoso de pedir ajuda ao Fundo Monetário Internacional (FMI) para que o País possa enfrentar a crise econômica. O FMI não está nem aí para ajudar ninguém, mas para servir aos banqueiros e investidores, cobrando juros altíssimo. O FMI, que é uma instituição falida econômica, política e moralmente falando, quer que o povo da América Latina se dane. Particularmente, eu jamais recorreria ao FMI para enfrentar uma crise como essa, afirmou o candidato, que chegou no começo da tarde à cidade, vindo de Florianópolis.
Lula concedeu entrevistas e fez campanha corpo-a-corpo no centro da cidade, onde falou a cerca de 500 pessoas, segundo avaliação da PM. Ao deixar Ribeirão rumo a Vitória (ES), referiu-se ao pacote de cinco medidas que tem, como propostas alternativas para combater a crise. Ele defendeu o controle provisório do câmbio, acabar com as remessas de capitais para o estrangeiro, diminuir os impostos predatórios para incentivar as exportações e promover a indústria e a agricultura, além de desestimular as importações.
O candidato da frente de oposição disse que está otimista com o processo da campanha e investe todos seus trunfos num eventual segundo turno que, para ele, é praticamente uma nova eleição. Vivemos este ano uma campanha atípica, que foi feita por quem não quer que haja campanha, disse.
Em entrevistas e no discurso no centro da cidade, Lula condenou seis vezes a imprensa e condendou as principais redes de tevê, especificamente a Rede Globo, por não transmitirem dados sobre sua campanha à Presidência, privilegiando informações sobre Fernando Henrique. É uma estratégia que faz parte do mesmo grupo que conseguiu aprovar a reeleição. Mas apesar da imprensa que mal informa sobre a oposição, acredito que o povo está politizado e com certeza o PT vai ao segundo turno, avaliou. Para Lula, o presidente Fernando Henrique está fugindo do debate na tevê da mesma maneira que Francisco Rossi, em São Paulo, fugiu do último debate na TV Cultura. Se FHC tivesse 10% de certeza de que o que ele fala e verdade, ele não temeria um debate cara-a-cara comigo, afirmou.
O candidato do PT disse que um eventual apoio de Ciro Gomes (PPS) no segundo turno será bem-vindo, assim como apoio de outros candidatos do PSDB, inclusive. Ele descartou qualquer aliança política para o segundo turno e afirmou que a aliança com Leonel Brizola é perfeitamente normal e não contraditória, como chegaram a afirmar.


