Rio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) disse ontem que a votação na Câmara dos Deputados que elevou esta semana para 16,7% o reajuste das aposentadorias e pensões do INSS superiores a um salário mínimo não foi séria. Ele atribuiu a derrota do governo a interesses eleitorais da oposição, disse que não se deve brincar na política e demonstrou que vai vetar a medida. ''A votação do salário mínimo no Congresso não foi uma coisa séria. O que estava lá para ser votado era um acordo que tinha sido feito pela primeira vez nas História do Brasil com todas as centrais sindicais e todos os aposentados representados por elas. De repente alguém resolve que aquilo pode ser bom eleitoralmente e vota favorável. Colocar R$ 8 bilhões de gastos a mais na Previdência, que já está estourada em 40 bilhões, é no mínimo pouco respeitável com o povo'', queixou-se o presidente, em discurso no lançamento de uma linha de financiamento parar caminhoneiros na sede do Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), no final da manhã de ontem.
Para afirmar que não abrirá mão da austeridade até o fim do mandato, o presidente Lula se disse contra fazer ''proselitismo com a economia em época de eleição''. Ele lembrou as dificuldades da manutenção do controle da inflação e o contingenciamento do primeiro ano de governo e mandou um recado para os que vêem no desafio da reeleição o aumento dos gastos do governo diante do desafio da reeleição.
''Quero dizer que não haverá da minha parte nenhum gesto que coloque em risco a seriedade da estabilidade da economia brasileira e da política fiscal dura por conta da eleição. As coisas serão feitas com a mesma tranquilidade com que estamos fazendo até agora'', frisou.
Sobre os que se queixam do câmbio, brincou que sua sala se transformara numa sacristia diante dos pedidos dos que querem o dólar mais alto e mais baixo e disse que nenhuma mudança se dará por decreto, medida provisória, ou simplesmente presunção. ''Quando a gente é oposição pode gargantear, pode blefar. Quando é governo, a gente só pode fazer o que pode fazer''.
O presidente comemorou pesquisa da Fundação Getúlio Vargas que identificou o crescimento de 14,1% na renda dos mais pobres e atribuiu o resultado aos programas do governo federal, numa demonstração, segundo ele, de que é possível gastar com o social sem abrir mão de uma política fiscal séria. ''A política social forte dá resultado. Mesmo que as pessoas falem contra, um dia ela aparece.''
Lula também citou a estimativa de que 94% das crianças brasileiras atendidas pelo Bolsa Família estão comendo três vezes por dia e anunciou que está próximo de alcançar a meta estabelecida no início de seu governo: a de que todo brasileiro poderá fazer três refeições diárias.
O presidente traçou um panorama otimista no qual o Brasil tem ''a casa arrumada'' para uma ofensiva de desenvolvimento. Ao lado do presidente do BNDES, Demian Fiocca, e do ministros da Educação, Fernando Haddad, da Indústria e Desenvolvimento, Luiz Fernando Furlan, e dos Transportes, Paulo Sérgio Passos, Lula disse que o País não precisa mais recorrer a organismos como o FMI para fechar as contas e goza de boa reputação internacional.

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