Londres - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem, no Seminário da Governança Progressista, em Londres, as ''elites brasileiras'' e a política externa adotada pelos governos anteriores. Em discurso, sentado ao lado do primeiro-ministro britânico Tony Blair, Lula censurou o embargo norte-americano a Cuba e os subsídios agrícolas europeus.
Os principais problemas econômicos no mundo, disse Lula, têm uma natureza ''essencialmente política'', citando como exemplo a ''intransigência da França'' na queda dos subsídios agrícolas europeus e o embargo norte-americano a Cuba. ''Cuba é um país pequeno e não vai invadir os Estados Unidos. Esse embargo é resultado da pressão dos exilados cubanos em Miami'', destacou o presidente.
Lula pediu esforços dos países ricos para melhorar a distribuição de renda no mundo. No entanto, assumiu a responsabilidade para a solução dos problemas brasileiros. ''O problema do Brasil é meu e eu que tenho que resolver'', afirmou o presidente. Ele também criticou as ''elites do País''. ''Tudo que eu quero provar é que a elite brasileira estava errada'', disse.
Para o presidente, os governos anteriores deram a atenção necessária às relações com a América do Sul e a África. ''Todo mundo pensava na Europa, porque os governantes estudaram na Europa'', afirmou Lula, se referindo indiretamente ao ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Lula também criticou de forma genérica as guerras e disse que os esforços deveriam se concentrar no apoio às populações mais desprovidas no mundo.
Ao apresentar Lula no seminário, Tony Blair elogiou o presidente brasileiro que, segundo ele, está tendo um ''fantástico sucesso''. O primeiro-ministro britânico ressaltou que se trata de um governante ''cuja notável história pessoal fala por si mesmo''.
Durante o seminário Blair sentou-se entre Lula e o presidente da África do Sul, Thabo Mbeki. Após as várias críticas feitas ao países ricos por Lula e Mbeki, Blair brincou: ''Quero agradecer a quem me colocou entre os dois''.
Blair convidou 14 líderes progressistas para a reunião de ontem e hoje em Londres, para tentar renovar o conceito de ''terceira via'', que o popularizou e o levou ao poder em 1997. Além de Lula, participam da cúpula outros presidentes latino-americanos: o chileno Ricardo Lagos e o argentino Néstor Kirchner.
Ontem pela manhã, antes do seminário Lula visitou uma obra do arquiteto brasileiro Oscar Niemeyer, que está sendo exposta na Serpentine Gallery, no parque Kensington Gardens. Cerca de 100 brasileiros radicados em Londres aplaudiram o presidente, que os cumprimentou. Integrantes do núcleo do PT no Reino Unido entregaram a Lula uma carta solicitando atenção especial do governo brasileiro para a situação dos brasileiros no Exterior.

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