Lula critica aumento a parlamentares
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quarta-feira, 16 de dezembro de 1998
Agência Estado e Agência Folha 
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, disse ontem em São Paulo que não é justo os deputados terem aumento no momento em que a maioria dos trabalhadores brasileiros não tem reajustes. Mas advertiu: É preciso parar com essa hipocrisia de achar que o que é ruim para o Brasil é um deputado ganhar R$ 12 mil; se eu bem conheço o Congresso, 90% dos deputados não dependem do que o governo paga a eles; aquilo serve como troco, atacou.
Lula acrescentou que, muitas vezes, a política do é dando que se recebe vale muito mais do que o salário. Ele citou como exemplo a compra de votos para aprovação da emenda da reeleição. O que é preciso no Brasil é acabar com a trambicagem, a hipocrisia e a safadeza; se fizermos isso, um deputado pode até ganhar R$ 12 mil que ninguém vai notar.
Indagado se considera ainda existir muitos picaretas no Congresso, Lula respondeu que ainda não pode saber porque os novos mandatos ainda não começaram. Não posso citar nomes agora, mas, a partir de 15 de fevereiro, com duas ou três votações, já poderemos saber quantos picaretas existem no Congresso.
O presidente de honra do PT esteve ontem no Incor, acompanhado pelo governador eleito do Rio Grande do Sul, Olívio Dutra (PT), para visitar o governandor reeleito Mário Covas (PSDB), operado na segunda-feira. No livro de presença, Lula deixou a seguinte frase ao amigo: Você, que a vida inteira lutou contra tudo e contra todos. Você, que durante toda a vida fez cada dia valer a pena. Não desista porque a vida é a coisa mais importante que Deus nos deu. Abraços. Lula. Sem Medo de Ser Feliz.
Olívio Dutra também criticou o reajuste. É uma falta de sensibilidade com o drama social de milhares de mulheres e homens desempregados, subempregados, empregados e mal pagos, disse Dutra. Para ele, esse reajuste cria automaticamente um movimento de elevação salarial de uma categoria que já ganha bem. Isso ocorre enquanto o salário da maioria da população está mal, o funcionalismo público, por exemplo, está há mais de quatro anos sem reajuste.
TemorCom medo de serem hostilizados nas ruas, deputados reagiram contra a definição do teto salarial no serviço público de R$ 12.720 e contra as declarações do presidente da Câmara, Michel Temer (PMDB-SP), de que os parlamentares passarão a ganhar esse valor. Seremos vaiados nas ruas, disse o líder do PFL, Inocêncio de Oliveira (PE). Está em julgamento a credibilidade da instituição, afirmou o deputado José Genoino (PT-SP). Diante da reação negativa, Temer recuou. Disse que os meios de comunicação divulgaram a suposição equivocada de que todos ganhariam R$ 12.720.


