Lula critica ataques pessoais no partido
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terça-feira, 26 de agosto de 1997
Agência Folha Brasília 
O líder petista Luiz Inácio Lula da Silva criticou ontem os rumos da disputa pela presidência do PT entre o atual presidente, José Dirceu (SP), e o deputado Milton Temer (RJ). Para ele, a discussão está saindo do campo ideológico e partindo para o pessoal. Ao chegar a Brasília, no final da tarde, Lula disse que o partido deve decidir sobre a candidatura à Presidência da República no 11º Encontro Nacional do PT, no próximo fim-de-semana.
Tem que definir já, afirmou. Eu não sou candidato. Já fui duas vezes e não gostaria de ser pela terceira vez, pelo menos agora. Segundo Lula, os partidos de esquerda devem ter um candidato único, sem imposição de nomes. Temos que costurar essa viabilidade e depois discutir nomes, disse.
O líder petista foi chamado a Brasília para uma reunião com os deputados que apóiam Temer, na tentativa de evitar o racha do partido depois da escolha do novo presidente. Não podemos fazer dessa disputa uma guerra entre companheiros. Temos que elevar o nível do debate para impedir que a discussão parta para a agressão pessoal, disse.
Para Lula, a disputa tem que ser ideológica, democrática e civilizada. O líder petista defendeu um pacto pela unidade do partido. Depois do encontro, vamos fazer um pacto de funcionamento do partido. Afinal, esses companheiros terão de conviver dois anos e levar adiante a política do partido, afirmou. Depois do encontro, acabaram-se as divergências e todos passam a defender o que foi aprovado, completou.
O PT está pressionando o TSE (Tribunal Superior Eleitoral) a firmar entendimento de que os candidatos à reeleição devem deixar o cargo seis meses antes do pleito. O partido distribuiu ontem memorial aos ministros do TSE, na condição de autor da proposta de suprimir expressão do texto da emenda constitucional da reeleição que dispensaria a desincompatibilização.
O TSE deve responder, nesta semana, a uma consulta do senador Freitas Neto (PFL-PI) sobre a obrigatoriedade ou não de os governadores deixaram o cargo. A situação do presidente Fernando Henrique Cardoso não foi questionada. A retirada da expressão e concorrer no exercício do cargo, proposta pelo PT, recebeu o apoio do governo e foi aprovada por 391 votos contra 13. Na época, o governo temeu a derrota e adotou entendimento de que a omissão no texto constitucional favoreceria a permanência no cargo pelos candidatos à reeleição.


