Brasília - Numa cerimônia marcada pela informalidade e com direito a efeitos musicais de berimbau e atabaque, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva instalou ontem a Secretaria Especial de Políticas de Promoção da Igualdade Racial sem citar o tema das cotas para negros no ensino superior público, uma promessa de campanha.
Além do combate ao racismo e à discriminação, a única medida concreta citada por Lula foi a intensificação do relacionamento do Brasil com países africanos, inclusive com a abertura de novas embaixadas. A primeira a ser inaugurada deve ser em São Tomé e Príncipe, único país africano de língua portuguesa onde o Brasil não tem representação.
Lula também pretende viajar à África até o final do ano e tratou do assunto anteontem pela manhã com o ministro Celso Amorim (Relações Exteriores).
''Essa situação injusta e cruel (de discriminação) é produto da nossa história, da escravidão que durou quatro séculos no Brasil, deixando marcas profundas em nosso convívio social, mas também é resultado da ausência de políticas públicas voltadas para superá-las'', disse Lula, que foi interrompido por aplausos e som de tambores diversas vezes.
A nova secretária, Matilde Ribeiro, 42, disse ser pessoalmente favorável às cotas, mas que, como ministra, debaterá o assunto. A secretaria irá discutir os assunto em um conselho da sociedade, a ser criado.

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