O nome de Luiz Inácio Lula da Silva foi incluido na quarta leva de pessoas que prestarão depoimento à comissão de sindicância do Partido dos Trabalhadores que apura o caso CPEM. O anúncio oficial foi feito sábado pelos três membros do PT responsáveis pelas apurações - vereador paulistano José Eduardo Cardozo, deputado federal Hélio Bicudo e o economista Paul Singer.
Anteontem, a comissão, criada pelo PT para apurar as denúncias de corrupção no partido ouviu o economista Paulo de Tarso Venceslau, que acusa prefeituras petistas de favorecer a Consultoria para Empresas e Municípios (CPEM) com o objetivo de desviar recursos para o financiamento de campanhas eleitorais do PT.
O depoimento de Lula ainda não tem data marcada, assim como os de José Dirceu, presidente do PT; Roberto Teixeira, compadre de Lula e dono da casa onde mora gratuitamente o líder petista; José Cicote, ex-vice-prefeito de Santo André, e Américo Kono, ex-secretário de administração de Santo André.
A comissão marcou para hoje, a partir das 14h, na sede paulista do partido, os depoimentos do deputado federal José Machado, líder do PT na Câmara e ex-prefeito de Piracicaba; do deputado federal Arnaldo Chinaglia; do ex-prefeito de Diadema José Augusto e do senador Eduardo Suplicy.
A convocação desses petistas foi feita sexta-feira, após um dia de nove horas e meia ao todo de depoimentos de quatro pessoas.
Os membros da comissão disseram que não vão fazer comentários sobre o teor dos depoimentos até a conclusão dos seus trabalhos. Mas afirmaram que os depoentes entregaram documentos importantes à comissão.
O economista Paulo de Tarso Venceslau, cujo depoimento durou três horas e meia, na manhã de sábado, disse que Lula sabe há quatro anos que a empresa CPEM estava envolvida em irregularidades em prefeituras petistas.
A ex-prefeita de São José dos Campos, Ângela Guadagnin, disse que exonerou Paulo de Tarso da secretaria da Fazenda do município não por pressão do PT, mas porque o economista demonstrou, durante os oito meses que participou de sua administração, ter ‘‘uma personalidade fortemente marcada pela necessidade de chamar a atenção’’.
Para ex-prefeita, que negou conhecer o advogado Roberto Teixeira, disse que as acusações de Paulo de Tarso são vazias. Em seu depoimento, o atual prefeito de Santo André, Celso Daniel, que também esteve à frente do município de 1989 a 1992, disse que a CPEM foi contratada legalmente pelo administração municipal com o objetivo de manter o índice de participação do município na arrecadação do ICMS no Estado de São Paulo.
A legalidade, disse, foi confirmada por parecer do procurador-geral da República, Geraldo Brindeiro, que concluiu que a notória especialização da CPEM para a realização dos serviços dispensa a exigência de licitação.
A deputada federal Telma de Souza, ex-prefeita de Santos, também disse em seu depoimento que a CPEM foi contratada sem licitação por ‘‘notória especialização’’ com base na Lei de Licitações vigente em 1990.
A ex-prefeita de Santos afirmou que a CPEM procurou a administração de municipal ‘‘diretamente’’. Segundo disse, em nenhum momento dirigentes do PT ou o advogado Roberto Teixeira, que disse conhecer de festas na casa de Lula, solicitaram a contratação da CPEM.
Telma de Souza qualificou de ‘‘política’’ a decisão do atual secretário de Finanças da administração do PPB em Santos, Rodolfo Amaral, de entregar à comissão relatório que aponta como lesivo à prefeitura local contrato com a CPEM firmado pela administração petista.
A ex-prefeita rebateu a acusação, dizendo que a arrecadação de ICMS de Santos aumentos nos três anos (1991, 1992 e 1993) que a CPEM trabalhou no município. A comissão de sindicância marcou para terça-feira os depoimentos de Gilberto Carvalho, ex-secretário geral do PT; Aloizio Mercante, ex-candidato a vice-prefeito na chapa de Luiza Erundina, e Paulo Frateschi.
Para o dia 16, estão previstos os depoimentos de Paulo Okamoto, que foi da direção do PT, de Amir Khair, ex-secretário de Fazenda da administração paulista de Luiza Erundina e de Dirceu Teixeira.

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