O presidente nacional do PT, José Dirceu, e o presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, aproveitaram o sucesso político que vem sendo obtido pelo relator da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) dos Títulos Públicos, Roberto Requião (PMDB-PR), para lhe propor a formação de um bloco oposicionista, que apoiaria um candidato único à presidência da República no ano que vem. Requião prometeu trabalhar pelo bloco. E evitou dizer que é candidato à sucessão de Fernando Henrique Cardoso.
José Dirceu, Lula, os senadores Eduardo Suplicy (PT-SP) e José Eduardo Dutra (PT-SE), e o ex-prefeito de Aracaju Jackson Barreto (PMDB) encontraram-se com Requião no gabinete deste, no meio da tarde. Eles deram apoio ao relator e disseram que ele está no caminho certo. ‘‘A CPI dos títulos acabou transformando-se em uma CPI do sistema financeiro’’, afirmou o presidente do PT. Lula aproveitou o encontro para conversar mais demoradamente com Requião. Os dois ficaram trancados no gabinete do senador por cerca de 40 minutos. Depois, o próprio Requião informou sobre a proposta de se fazer o bloco de oposição.
O relator da CPI sempre fez oposição ao governo de Fernando Henrique Cardoso. Ele costuma somar-se a outros 15 senadores que tentam derrubar as reformas na Constituição, propostas pelo governo. Ao saber que Lula e José Dirceu o esperavam no gabinete, Requião deixou o plenário do Senado às pressas e foi ao encontro dos dois, que se juntaram aos senadores Suplicy e Dutra e ao ex-prefeito Barreto.
Segundo o senador Requião, a frente proposta por Lula não será de esquerda, mas oposicionista. ‘‘Nós devemos nos dedicar a reconstruir a Nação’’, disse o senador. Quanto à possibilidade de aproveitar a fase que atravessa e se candidatar à presidência da República, Requião respondeu: ‘‘Não sou candidato; serei um assessor aqui no Senado, para ajudar a formar a frente de oposições’’.
Dos petistas José Dirceu e Lula o relator da CPI ouviu ainda palavras de apoio ao trabalho de investigação que faz. Segundo Dirceu, Requião está conseguindo investigar os grandes bancos e seus lucros. Ele afirmou ainda que o governo federal sabia da emissão dos títulos destinados ao pagamento de precatórios. ‘‘Tudo leva a crer que houve um grande acordo político com os governos, os prefeitos e até com o ex-prefeito Paulo Maluf (PPB)’’, acusou Dirceu.

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