Lula contraria Fazenda e autoriza mínimo de R$ 380
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quinta-feira, 21 de dezembro de 2006
Isabel Sobral e Sérgio Gobetti<br> Agência Estado 
Brasília - Contra a vontade da equipe econômica, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva autorizou ontem o ministro do Trabalho, Luiz Marinho, a fechar um acordo com as centrais sindicais e o relator do Orçamento de 2007, senador Valdir Raupp (PMDB-RO), para elevar o salário mínimo de R$ 350 para R$ 380 no próximo ano. O reajuste custará R$ 5,1 bilhões aos cofres federais - R$ 850 milhões a mais do que estava programado.
Em uma reunião de cinco horas no Planalto, os ministros da Fazenda, Guido Mantega, e do Planejamento, Paulo Bernardo, tentaram convencer Lula a não dar aval ao acordo. Mas no final prevaleceu a posição de Marinho e da ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, a favor do reajuste de 8,6%.
Além do aumento, o governo concordou com correção de 4,5% na tabela do Imposto de Renda - 1,5% acima do que já havia sido aprovado nesta semana pela Câmara dos Deputados. O custo total das concessões ultrapassou em R$ 1,11 bilhão o previsto e obrigou Raupp a atrasar a votação do Orçamento para fazer ajuste nas projeções de receita do próximo ano.
Até ontem, o relatório final do Orçamento previa recursos suficientes para o mínimo de R$ 375. Essa estimativa já foi fixada acima do que a Fazenda queria, que era R$ 367. Com a elevação para R$ 380, os técnicos da Comissão de Orçamento tiveram de inflar a estimativa de arrecadação. ''Se não fosse responsável, eu não aceitaria esse acordo'', disse o relator, após reunião com Marinho e Nelson Machado (Previdência).
Na madrugada de ontem, na reunião com sindicalistas, os dois ministros também empenharam o compromisso de antecipar o reajuste do salário em um mês por ano, até 2010, quando seria fixado em janeiro. A cada ano, o aumento se faria pela inflação mais a variação do Produto Interno Bruto (PIB) - e não o PIB per capita, como é a regra atual.
''Os ministros acham que há grandes chances de ser confirmado esse valor'', comemorou o secretário-geral da Força Sindical, João Carlos Gonçalves, o Juruna, na manhã de ontem.
Fazenda e Planejamento tentaram demover Lula de aceitar o acordo. ''Esse acordo ainda não recebeu o aval do presidente. Isso provoca aumento de gastos em um Orçamento já apertado'', chegou a dizer Mantega, pouco antes de serem anunciadas as mudanças. (Colaboraram Fabio Graner e André Palhano)


