Brasília - Apesar dos problemas enfrentados no PP, PSD e PMDB, além de outras baixas avulsas, o Palácio do Planalto comemora o fato de o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva ter conseguido um documento com a assinatura de 185 deputados, 13 a mais que o mínimo necessário, dispostos a barrar o impeachment na Câmara. Mesmo reconhecendo que a situação atual é "crítica" e que os números estão oscilando a cada hora, para baixo e para cima, todo o governo está empenhado em buscar votos no varejo. A própria presidente Dilma vai dedicar boa parte da tarde para contato com os parlamentares. O governo teme o que está chamando de "onda negativa", que estaria crescendo.

Embora haja quem diga que os números "estão piorando", oficialmente o governo tenta mostrar que tem os votos para derrubar o impeachment. Um dos interlocutores da presidente informa que não seria bom divulgar a lista dos 185 que apoiam o governo, para que a oposição não tente cooptá-los.

Ontem pela manhã, Dilma se reuniu com deputados de vários partidos no Palácio da Alvorada, entre eles do PCdoB e do PT. Ela queria agradecer pessoalmente a eles pelo apoio dado a ela e pedir o "máximo de empenho de todos" para "ajudar a vencer esta batalha". Dilma também recebeu os ministros do PMDB que estão deixando seus cargos para retornar às suas vagas na Câmara para votar contra o impeachment. Dilma disse que tem certeza de que eles conseguirão mobilizar os aliados para "derrotar os conspiradores e golpistas".

O Palácio do Planalto, que havia decidido, na noite de quarta, apressar a assinatura das demissões dos apadrinhados de ex-aliados do governo, resolveu segurar um pouco os atos, por causa de negociações que estão em curso. Os atos, no entanto, estão prontos e, a qualquer momento, o governo poderá liberá-los. A ideia do Planalto é estar com os cargos liberados já na próxima segunda-feira, quando Dilma acredita que o fantasma do impeachment estará afastado - com a derrubada do processo no plenário da Câmara - para poder substituir todos os demitidos, premiando os aliados fiéis.

PMDB
Reunida na manhã de ontem, a bancada de deputados federais do PMDB decidiu por ampla maioria apoiar o impeachment de Dilma, mas não fez o chamado "fechamento de questão", o que colocaria os dissidentes sob ameaça de expulsão da legenda.
A votação foi simbólica, sem registro nominal dos votos. O PMDB tem a maior bancada da Câmara, com 67 cadeiras. O governo trabalhava para obter até 20 votos da bancada, entre eles os dos ministros Marcelo Castro (Saúde), Celso Pansera (Ciência e Tecnologia) e Mauro Lopes (Aviação Civil), que reassumiram os mandados de deputado ontem. Mas nesta quinta a contabilidade já havia caído para menos de 10. Também fiel a Dilma, o líder da bancada, Leonardo Picciani (RJ), afirmou que irá respeitar a decisão da maioria e que irá orientar o voto contra a petista na sessão deste domingo. Ele, porém, votará contra o impeachment. O PMDB, partido do vice-presidente Michel Temer, rompeu com Dilma há algumas semanas, mas os ministros decidiram permanecer no cargo.

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