Brasília - O Palácio do Planalto confirmou ontem a indicação do senador Hélio Costa (PMDB-MG) para o Ministério das Comunicações e do atual presidente da Eletrobrás, Silas Rondeau, para Minas e Energia. O deputado Saraiva Felipe (PMDB-MG) deve ser o titular do Ministério da Saúde no lugar de Humberto Costa. O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deverá anunciar os demais nomes amanhã, quando tomam posse os três novos ministros.
A reforma teve por objetivo ampliar a participação do PMDB no governo e reforçar o campo de forças políticas no que pode ser considerada a pior crise política da atual gestão. De acordo com auxiliares do presidente, ele estuda ainda oferecer um ministério ao PP. A reforma é interpretada como uma reação à crise política e portanto, não deve parar nessas três pastas: pode envolver inclusive o Banco Central, cargos do segundo escalão e as diretorias das principais estatais. A ordem é tirar do governo agora todos aqueles tenham sido citados em denúncias de corrupção. Lula também aproveitará para substituir todos os integrantes do governo que queiram disputar algum cargo eletivo em 2006.
O senador Hélio Costa (PMDB-MG) assume o Ministério das Comunicações no lugar de Eunício Oliveira, depois de uma disputa interna no partido com o secretário-executivo da pasta, Paulo Lustosa, também cotado para a pasta. Indicado pela bancada do PMDB no Senado, Costa é natural de Barbacena (MG), é jornalista e ficou conhecido por sua atuação como repórter da Rede Globo. Ele iniciou sua carreira política motivado pela Constituinte, tendo sido eleito deputado federal em 1986 e depois em 1998. Entre os dois mandatos na Câmara, ele candidatou-se duas vezes ao governo do Estado de Minas, sem sucesso, e chegou ao Senado nas últimas eleições.
Engenheiro eletricista, o novo ministro de Minas e Energia, Silas Rondeau Cavalcante Silva, fez carreira no setor elétrico atuando na região Norte. Ele presidiu as distribuidoras de energia de Manaus e do Amazonas e a Eletronorte (geradora do Norte do país que faz parte do sistema Eletrobrás), antes de assumir em maio do ano passado a presidência da Eletrobras. Graduado pela Universidade Federal de Pernambuco, especializou-se em Engenharia de Linhas de Transmissão pela UFRJ, tendo ainda MBA Executivo Internacional e de Finanças, além de cursos de avaliação de empresas e sobre competências em gestão.
A indicação de Rondeau para a Eletronorte em 2003 foi uma alternativa a José Antônio Muniz Lopes, preferido pelo senador José Sarney para o cargo na época, mas que encontrou a resistência do governador do Acre, Jorge Viana (PT). De um técnico que contava com a simpatia do grupo político ligado a Sarney, Silas Rondeau passou a ser o principal nome do senador para indicações no setor elétrico.
José Saraiva Felipe nasceu em 26 de março de 1952 e ingressou no PMDB em 1981. Está no seu terceiro mandato como deputado federal. Médico formado pela UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), é mestre em saúde pública e tem a mesma especialização do ministro da Fazenda, Antonio Palocci. Neste ano, chegou a ocupar a liderança do partido na Câmara dos Deputados, numa briga entre as alas peemedebistas pelo controle da bancada. Saraiva é ligado à ala de centro do presidente do partido, Michel Temer (SP), mas é um dos poucos peemedebistas com ligação às três alas da legenda.

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