Lula conclui programa de governo
Lula conclui programa de governo
Linhas básicas de suas propostas serão divulgadas na semana que vem. Documento final estará pronto em 30 dias
Agência Estado
A frente de partidos de esquerda definiu ontem, em São Paulo, as principais bandeiras da aliança para a campanha eleitoral. A pedido do candidato da coligação à Presidência (PT), Luiz Inácio Lula da Silva, será feito um documento enxuto e afinado com o discurso de campanha para evitar o que ocorreu em 1994, quando as propostas do PT perderam-se diante do Plano Real. O texto deverá ser divulgado na próxima semana.
Segundo o presidente nacional do PT, José Dirceu, nove itens farão parte do documento, uma espécie de índice do projeto de governo que a frente pretende concluir em, no máximo, 30 dias. Os dois primeiros pontos, de acordo com ele, serão o carro-chefe da campanha: emprego e educação. Os demais referem-se a soluções para a seca, a política agrícola, a saúde pública, as reformas tributária e política, as privatizações, as relações exteriores e as propostas econômicas.
Em reunião na sede do PT - que contou com a participação de presidentes e dos principais líderes das cinco legendas da frente (PT, PDT, PSB, PC do B e PCB, que se incorporou hoje ao grupo), entre eles Lula e o vice na chapa, Leonel Brizola (PDT) -, também foram indicados os representantes de cada partido para a coordenação de campanha. O PT, apesar da preocupação de seus dirigentes em dividir o poder de decisão, terá mais peso que os demais. A palavra final sobre qualquer impasse será dada por Lula. Luiz Gushiken (PT) será o coordenador-geral.
Os esquerdistas também formalizaram ontem quatro sub-coordenadorias de campanha: programa de governo, comunicação, agenda e mobilização e finanças. A frente resolveu ainda unificar as convenções dos cinco partidos no dia 21 de junho, em Brasília, para tentar transformar os encontros num grande ato político. Segundo Lula, depois do período convencional a frente vai atrás dos dissidente do PMDB.
O primeiro ato político da frente de oposição fora de São Paulo será realizado quinta-feira, no sertão de Pernambuco. O pré-candidato do PT à Presidência da República e presidente de honra do partido, Luiz Inácio Lula da Silva, o pré-candidato a vice-presidente e ex-governador do Rio Leonel Brizola (PDT) e o governador do Estado, Miguel Arraes (PSB), estarão em Uruás - um dos municípios mais castigados pela seca, na região de Petrolina, extremo Oeste pernambucano. Os três líderes da frente chegarão a Petrolina no segundo e último dia do Seminário Nordeste Além da Seca, promovido pela Central Única dos Trabalhadores (CUT), Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) e Confederação dos Trabalhadores na Agricultura (Contag).
Entre os conferencistas, estão o geógrafo Aziz AbSaber, o professor Manoel Correia, da Universidade Federal de Pernambuco (Ufpe), e o senador Eduardo Suplicy (PT-SP). Amanhã (27), serão discutidos os temas A seca e o movimento social e Diagnósticos e alternativas.
Ao lado de questões técnicas, o encontro terá uma forte conotação eleitoral. Há duas semanas, o presidente nacional da CUT, Vicente Paulo da Silva, o Vicentinho - suplente de senador na chapa do PT -, anunciou o engajamento formal da entidade que dirige à candidatura de Lula. Ele também convocou os sindicatos do País a enviar um representante para o encontro. Precisamos acertar os ponteiros e sair às ruas, conclamou Vicentinho. Em Uruás, os políticos da frente estarão acompanhados dos sindicalistas e de prefeitos e vereadores ligados a Arraes.
A seca e o desemprego serão os dois principais motes do discurso de Lula e dos aliados. Os documentos que saírem do seminário de Petrolina serão usados como munição para a campanha oposicionista. Com iniciativas desse tipo, os sindicalistas se integrarão à frente. A idéia é formar um comitê paralelo, com representações em todos os Estados.
Lula não vê problemas na participação direta de entidades sindicais na campanha. Sempre tivemos pruridos em misturar política partidária e sindicato, disse. Foi por isso que muitos operários que participavam das greves terminavam votando em candidatos que não defendiam os interesses dos trabalhadores.





