Lula conclama países para reconstruir o Haiti
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quinta-feira, 04 de novembro de 2004
Folhapress 
Rio de Janeiro - Em discurso ontem na sessão inaugural da reunião do Grupo do Rio, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva convocou os países da América Latina e do Caribe a trabalharem ''conjuntamente'' na reconstrução do Haiti, pela reforma do Conselho de Segurança da ONU (Organização das Nações Unidas) e contra as ''práticas discriminatórias'' do comércio mundial.
Lula, que falou por exatos dez minutos, não citou nominalmente Cuba, mas fez questão de repetir a necessidade de um amplo diálogo entre os países. ''Temos hoje a clara consciência de que os conflitos e os problemas que enfrentamos são maiores e mais complexos do que a nossa capacidade de equacioná-los individualmente. Nenhum país pode prescindir do diálogo e da cooperação.'' E completou: ''Espero que o encontro possa comprovar a nossa capacidade de atuar conjuntamente e oferecer as respostas concretas reclamadas por nossos povos.''
No evento, Lula reivindicou a reforma no Conselho de Segurança da ONU, algo que já se tornou rotina em seus discursos diante de outros chefes de Estado. ''A presença de países em desenvolvimento entre seus membros permanentes é fundamental para assegurar a legitimidade e representatividade dos órgãos dedicados à segurança coletiva.''
Uma das principais bandeiras do Itamaraty é reformar o conselho para conquistar uma cadeira definitiva na instituição. Atualmente, apenas Estados Unidos, Reino Unido, França, Rússia e China são membros permanentes no conselho. Para justificar a reforma, Lula disse que o mundo encontra-se num ''momento decisivo'' em que a comunidade internacional está sendo convocada para ''refletir'' sobre a ''atualização da estrutura política de preservação da paz''.
Em relação ao Haiti, onde há quatro meses o Brasil chefia uma missão de paz da ONU, ele cobrou de novo uma participação mais ativa da comunidade internacional. ''É preciso que a comunidade internacional se mobilize para atender às necessidades prementes do povo haitiano.'' E fez uma cobrança direta aos chefes de Estado presentes ao evento: ''A nossa solidariedade regional está sendo testada na grave crise por que passa o Haiti''.
A ONU aprovou o envio de 6 mil homens ao Haiti, mas até agora nem a metade da força está atuando no país. O Brasil conta com 1.200 soldados, que nas últimas semanas têm trocado tiros com rebeldes em Porto Príncipe (capital do país). Ontem, antes de falar, Lula ouviu o discurso de seu colega peruano, Alejandro Toledo, no qual disse que os países devem ''estender a mão solidária ao Haiti''.
Lula também falou da necessidade de uma ação internacional contra a fome e a pobreza e das recentes conquistas brasileiras na OMC (Organização Mundial do Comércio). E, ao tratar do tema, pediu que os demais países façam a mesma coisa: ''Devemos persistir em pôr fim a práticas discriminatórias ao comércio de nossos produtos''.


