Londres - No mais importante discurso do segundo dia de visita oficial ao Reino Unido, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva conclamou ontem os empresários britânicos a voltarem a investir no Brasil, como já ocorreu no passado, afirmando que o Brasil nunca teve um período de crescimento sustentável tão prolongado e atribuindo boa parte dessa situação à maneira como seu governo está conduzindo a economia do País. ''A nossa filosofia é de que a gente não brinca com economia. A nossa filosofia é que não existe mágica. Existe seriedade, existem compromissos, acordos, palavras e atitudes'', declarou o presidente, ao justificar que para que os empresários ingleses voltem a investir no Brasil ''não basta a eleição de um presidente, ou a escolha de um ministro da Fazenda''.
Segundo Lula, ''o que fará o governo do Reino Unido definir novas políticas para o País é a seriedade do governo brasileiro e quero dizer que os empresários brasileiros e o governo estão prontos, preparados, para retomar estas relações''. Depois de ressaltar que ''o Brasil goza de solidez institucional que nos permite encarar com tranquilidade um ano como este, marcado por eleições gerais no País'', o presidente pediu licença a todos os presentes e tradutores para falar de improviso. ''Depois de três anos e três meses de governo, já não precisamos mais fazer discursos de promessas, mas apenas constatar o óbvio, que não aconteceu em nenhum momento da história'', afirmou, ao encerrar, no Hotel Hilton, na capital britânica, o Seminário Empresarial Brasil Reino Unido.
Mais tarde, ao ser homenageado em um jantar no centro financeiro de Londres, Lula assegurou que ''o Brasil ingressou, em definitivo, na trilha do crescimento'', ''após décadas de instabilidade macroeconômica, a sociedade escolheu o caminho do desenvolvimento, com distribuição de renda, responsabilidade fiscal e diminuição da vulnerabilidade externa''. Agora, de acordo com o presidente, seu governo está ''colhendo os frutos'' que plantou.
Para o presidente, ''a vontade dos brasileiros nas urnas, em outubro, obrigará aos governantes eleitos a dar prosseguimento às reformas necessárias para garantir o crescimento com inclusão social e estabilidade macroeconômica''. ''Todos os que acompanham a economia brasileira, pelas notícias boas e más, sabem que o nosso governo tomou a decisão de não brincar com a economia e não fazer experiências, mas apenas experiências com crescimento e resultados de desenvolvimento, que precisamos para o Brasil'', acrescentou.
Por último, Lula afirmou que não há razão para que Grã-Bretanha e Brasil não voltem a ser parceiros comerciais, políticos e econômicos, como já foram em outros momentos da história, além de defender a associação entre o Mercosul e a União Européia, que estão em negociação há alguns anos a respeito, sem chegar a um acordo. Para ele, ''se houver vontade política e flexibilização dos dois lados, será possível chegar a um acordo mutuamente vantajoso''.

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