O comando da campanha de Luiz Inácio Lula da Silva à Presidência da República vai concentrar a agenda do candidato nos Estados de São Paulo e Minas Gerais, onde as pesquisas são menos favoráveis à oposição. É principalmente nesses centros urbanos que o candidato da aliança PT/PDT/PSB/PCB/PCdoB vai buscar eleitores junto a jovens, mulheres e pequenos e médios empresários, que tiveram atenção menor nas disputas anteriores.
‘‘Vamos fazer uma campanha mais ampla possível da esquerda, agregando um outro tipo de eleitorado, além do desempregado, do aposentado, do funcionário público, do trabalhador, do sem-terra e do setor informal’’, disse o presidente nacional do PT, José Dirceu. ‘‘O pequeno e médio empresário não querem votar em Fernando Henrique e nós temos proposta concreta para este setor.’’
A proposta a que Dirceu se refere começará a chegar ao eleitorado, numa linguagem fácil, ainda este mês. O candidato Lula vai lançar programas setoriais para diversas áreas e apresentar personalidades que estarão cuidando desses programas em seu governo, se for eleito. Esses ‘‘responsáveis’’ pelo acompanhamento e aplicação dos programas setoriais podem tanto ser integrantes dos partidos que compõem a frente como pessoas da sociedade.
Os compromissos sociais serão exaustivamente discutidos e o debate econômico vai esperar o programa eleitoral gratuito na televisão. ‘‘Em 1994, nosso adversário era o real, não o Fernando Henrique; nós não conseguimos tirar a bola da área, agora o jogo é toma-lá-dá-cᒒ, comparou o coordenador do programa do candidato petista, Marco Aurélio Garcia.
O tom da campanha será de propostas (mais moderadas) que abranjam todos os setores sociais, mas as críticas ao adversário do PSDB não serão reduzidas. Uma das principais estratégias da campanha de Lula é explorar todas as falhas do atual governo e as promessas não cumpridas de Fernando Henrique, para tentar mantê-lo na defensiva, enquanto for possível. ‘‘Não há nada pior, para um candidato, do que ficar se explicando do que não conseguiu realizar’’, ressalta um dos coordenadores da campanha.
O ato de lançamento oficial da candidatura Lula, segunda-feira (06), foi uma amostra de que o tratamento com o candidato tucano será ruidoso. Mas o próprio Lula e seus auxiliares afirmam que não haverá ranço, nem mau-humor na campanha petista, porque sabem que uma militância alegre contagia, ao contrário de uma militância raivosa que desagrega. ‘‘Vou enfernizar a vida de Fernando Henrique, mas vou fazer uma campanha o mais bem-humorada possível’’, prometeu Lula, no seu discurso em Brasília.
Os coordenadores da campanha da frente das esquerdas trabalham com a alternativa de que haverá empate técnico entre os dois principais candidatos até o fim da campanha e estão convencidos do segundo turno. Por isso, o discurso social de Lula será associado à imagem de confiança que o candidato petista quer passar para o eleitorado.
‘‘Existe um descrédito da sociedade com relação à política e os dois candidatos vão disputar a credibilidade do eleitor’’, avalia o coordenador geral da campanha do PT, deputado Luiz Gushiken (PT-SP). ‘‘E Lula tem mais potencial para conquistá-la do que Fernando Henrique’’, aposta ele.
A decisão de dar prioridade a Minas Gerais e São Paulo na campanha tem seu motivo prático. ‘‘Pelo prazo, não há mais condição de fazer uma campanha como em 1994, em que Lula andava por todo o País.’’

mockup