Lula compara FHC a antigos coronéis
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quinta-feira, 18 de julho de 2002
Vera Rosa<br>Agência Estado 
Aracaju - A decisão do governo de liberar recursos para emendas de parlamentares, a menos de três meses da eleição, provocou, ontem, fortes críticas por parte do candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva. ''Não tenho dúvida que isso cheira à questão eleitoral, porque, afinal de contas, a situação do governo é delicada'', afirmou o petista, numa referência à queda do candidato do PSDB, José Serra, nas pesquisas de intenção de voto.
Ao chegar a Aracaju, cidade administrada pelo PT, Lula comparou a atitude do presidente à dos antigos coronéis. ''Lamento profundamente que Fernando Henrique, com toda a sua formação intelectual, utilize o mesmo padrão de comportamento que a oligarquia brasileira usou durante 100 anos neste País'', disse.
Na quarta-feira, o comitê de Serra decidiu que Fernando Henrique terá presença mais agressiva no palanque tucano. Além disso, o Planalto foi ''intimado'' a divulgar ações que possam beneficiar o candidato. No mesmo dia, ministérios e programas sociais estratégicos do Avança Brasil ganharam R$ 1,2 bilhão. Deste total, R$ 419 milhões serão destinados a emendas parlamentares. ''Só espero que esse dinheiro, agora, seja aplicado para aquilo que foi liberado, e não para fazer campanha eleitoral'', provocou Lula.
Sem citar o nome de Serra, Lula disse que não se ganha uma campanha só com dinheiro. ''Se fosse assim, Marcelo Deda não seria o prefeito de Aracaju e Marta Suplicy não teria sido eleita em São Paulo, disputando com Paulo Maluf'', argumentou. ''O trabalho dos militantes e o comportamento ético é que fazem a diferença no processo eleitoral.''
Juros - Apesar de elogiar a redução da taxa básica de juros de 18,5% para 18%, o candidato do PT observou que a medida não teve ''nenhuma implicação nas prestações de uma dona de casa ao fazer compra na loja''. Da mesma forma que se referiu à liberação do dinheiro para emendas parlamentares, Lula disse torcer para que a medida não seja apenas ''uma decisão política'' para beneficiar Serra.
''Sabemos que a redução da taxa não pode ser feita abruptamente, até porque os compromissos são muitos, mas, para manter os atuais níveis de emprego, seria necessário que os juros caissem para 16%'', opinou, citando estudos de economistas do Instituto de Estudos para o Desenvolvimento Industrial (Iedi).
A tática de Lula, nesta etapa da campanha, é dar prioridade a atividades de rua e traduzir para o eleitor de que maneira o ''economês'' do mercado interfere no seu dia-a-dia. ''A resposta que quero dar para esse mercado é fazer com que o Brasil volte a produzir e a ter empregos'', afirmou. A cúpula do PT prepara a divulgação de metas sociais que um eventual governo do partido adotaria, a partir dos que as administrações petistas têm feito nesse terreno.


