Agência Folha
Do Rio
O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, comemorou a declaração do governador do Ceará, Tasso Jereissati (PSDB), sobre a necessidade de mudança na política econômica. Segundo Lula, trata-se de uma prova da divisão no PSDB, o partido do presidente Fernando Henrique Cardoso.
‘‘Acho ótimo que eles comecem a brigar entre si, porque mostra que a oposição está correta’’, afirmou ontem, durante a abertura de um congresso da Ordem dos Advogados do Brasil (OAB), no Rio de Janeiro, que se transformou em ato de protesto contra o governo.
Lula disse que sugeriu ao presidente do PT, José Dirceu, uma campanha contra a prorrogação da alíquota de 27,5% do Imposto de Renda, ‘‘para dar sequência à marcha’’ realizada na última quinta-feira. ‘‘Acho que todo cidadão brasileiro deveria criar vergonha na cara e lutar contra isso.’’ Segundo ele, o governo deveria cobrar mais impostos de banqueiros e de fazendeiros e não da classe média.
Sobre a declaração de Jereissati, ele também afirmou: ‘‘Acho que é bem possível que ele esteja chamando a atenção do presidente ou que, neste momento em que o barco começa a afundar, as pessoas comecem a se desvencilhar para ver se aparece o bote salva-vidas.’’ O vice-presidente da República, Marco Maciel, e o presidente da Câmara dos Deputados, Michel Temer (PMDB-SP), presentes à conferência dos advogados, declararam que o controle da inflação precisa ser acompanhado de crescimento econômico.
O secretário de Direitos Humanos, José Gregori, negou a possibilidade de Jereissati romper com o governo de FHC para apoiar a eventual candidatura de Ciro Gomes ao Palácio do Planalto. ‘‘As raízes tucanas e de afeto do governador Tasso Jereissati com o presidente são muito profundas.’’

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