Enquanto José Dirceu falava em Ponta Grossa, o presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciava ontem em São Paulo que vai começar na segunda-feira, em Belo Horizonte, a articulação da mobilização popular contra o presidente FHC. ‘‘É preciso que a sociedade saia às ruas, principalmente os estudantes, para mostrar que o Fernando Henrique precisa respeitar mais o povo brasileiro do que o FMI’’, comentou Lula ontem em Araraquara, onde se reuniu com metalúrgicos, sindicalistas e assentados rurais da região.
Apesar do movimento, Lula reafirmou o posicionamento de seu partido sobre uma possível renúncia do presidente. ‘‘Tirar ele e colocar quem? O Marco Maciel? É preciso mudar o modelo de governo do Brasil.’’
A pequena manifestação, organizada pelo deputado estadual Milton Temer (PT-RJ), que aconteceu no Rio na sexta-feira, pedindo a renúncia do presidente, também foi quase ignorada por Lula. ‘‘Vi apenas uma faixa derrotada...’’, limitou-se a dizer o petista. ‘‘Acabei de perder uma eleição e não tenho direito de pedir a renúncia dele. Quanto à população, ela deve se manifestar.’’
Lula informou que não está agendado um encontro com o governador mineiro, Itamar Franco, na segunda-feira, mas não descartou a possibilidade. ‘‘Converso com ele sempre que posso’’, resumiu. ‘‘Continuo solidário ao Itamar e a todos os governadores estaduais que renegociam suas dívidas com a União.’’
Após sair da capital mineira, o petista passará em outros cinco Estados (Ceará, Pernambuco, Bahia, Rio Grande do Sul e Rio de Janeiro) para organizar a manifestação do dia 26. ‘‘Precisamos enfrentar a política econômica do governo, apresentando alternativas para o País e mostrando à sociedade brasileira que este modelo está falido’’, disse Lula. ‘‘O governo do Fernando Henrique é uma praga de gafanhotos.’’ Em abril, Lula retomará o movimento em todo o País.

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