Lula começa com recorde de popularidade
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quarta-feira, 29 de janeiro de 2003
Agência Estado 
São Paulo A primeira pesquisa de avaliação de governo depois da posse do presidente Luiz Inácio Lula da Silva mostra índices nunca alcançados por um presidente da República no primeiro mês de governo. Segundo o levantamento Sensus, encomendado pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) e divulgado ontem, 78,4% da população acreditam que o governo Lula será ótimo ou bom. Além disso, 83,6% dos entrevistados aprovam o desempenho do presidente.
Assim como acontecia com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, a aprovação do desempenho pessoal de Lula é superior à avaliação do seu governo. Para 56,6%, a avaliação do governo é positiva, enquanto para 17,7% é regular e apenas 2,3% dos entrevistados fazem uma avaliação negativa.
Desde que Lula foi eleito, a expectativa positiva de seu governo aumentou. Em novembro, 71% dos eleitores achavam que a administração seria ótima ou boa (7,4 pontos a menos do que agora), para 18,3% seria regular e para 4,8% seria ruim ou péssimo. Hoje, o índice de regular baixou para 14,2% e de ruim ou péssimo, para 2,2%. A maioria dos entrevistados (69,9%) acha que as promessas de campanha estão ou vão ser cumpridas, enquanto 18,5% acredita que as promessas não estão ou não vão ser cumpridas.
A equipe montada por Lula também foi aprovada. Para 62,5%, o ministério é ótimo ou bom; 21,4% consideram-no regular e 3,5%, ruim ou péssimo. A viagem feita por Lula e sua equipe às regiões mais pobres do País foi muito importante na opinião de 51,7% dos entrevistados; 38,4% acham que foi importante e para 3,4% não foi importante. A CNT/Sensus aponta ainda que, em média, as pessoas esperam que o governo Lula mude a vida da população em 1,8 ano.
Entre as mudanças no País, a considerada mais importante é a reforma trabalhista (é prioridade para 44%). Em seguida vêm a reforma agrária, com 11,5%, e a previdenciária, com 11,2%. Reforçando esse item, a criação de empregos é citada por 49,9% como sendo a medida que merece mais atenção do governo. O combate à fome é a medida mais urgente para 26,4%, o combate à violência é prioridade na opinião de 6,5% e o combate à corrupção é apontado por 4,8%. A prioridade dada pelo governo ao projeto Fome Zero é considerada correta por 87,3% e incorreta por 9,2%.
A taxa de desemprego, na opinião de 78,2%, vai diminuir, enquanto 10,3% acham que vai aumentar e para 6,4% vai permanecer igual. A expectativa é que a inflação também caia: 63,9% tem essa opinião (16,1% acredita que vai aumentar e 12,2%, permanecer igual).
Na opinião da analista de pesquisas políticas Fátima Pacheco Jordão, a questão do emprego pode ser justamente o ponto de desgaste dessa popularidade de Lula se ele não der respostas para a população. ''Isso vai exigir de Lula um enorme esforço de comunicação para que ele mostre os obstáculos e possa antecipar os problemas que venha a enfrentar'', diz ela.
Como o índice de aprovação de Lula é maior que sua votação (61,27% dos votos válidos), Fátima destaca que o presidente está conseguindo contentar não apenas os eleitores que estavam com ele desde o começo da campanha, mas também os que foram conquistados no final da disputa e aqueles que nem sequer votaram nele. A pesquisa CNT/Sensus foi feita com 2 mil entrevistas em 24 Estados entre os dias 19 e 23. A margem de erro é de 3 pontos porcentuais, para mais ou para menos.


