Brasília Depois de dedicar dois dias a uma agenda internacional, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva retorna às polêmicas nacionais e convocou para hoje, às 13 horas, na Granja do Torto, uma reunião com os presidentes e líderes dos partidos aliados. As articulações com os partidos que compõem a aliança do governo estavam sendo tratadas pelo chefe da Casa Civil, José Dirceu, articulador político do presidente. Agora, o presidente assume o comando das negociações.
O encontro com os presidentes dos partidos que compõem a base ocorrerá no momento em que o governo venceu o primeiro round na guerra que está sendo travada no comando do PMDB, pela disputa à presidência do Senado.
Ontem, a reunião da bancada peemedebista que acabou sendo adiada para o final de janeiro, foi considerada um ponto a favor do Planalto, que apóia a candidatura do ex-presidente José Sarney, contra a do líder do PMDB, Renan Calheiros (AL). Mas o governo não tem intenção também de brigar com Renan Calheiros, mesmo porque reconhece que ele é uma liderança expressiva no Estado, e por isso mesmo José Dirceu já marcou uma conversa com ele para hoje, às 11 horas, no Planalto.
Apesar de Lula ter dito no início da semana que não está preocupado ainda com a composição de sua base, porque o novo Congresso sequer tomou posse, as negociações estão sendo feitas em vários níveis com os partidos aliados.
Essa articulação é considerada uma operação complicada porque em muitos dos partidos, presidente e lideranças não falam a mesma linguagem. Os casos mais claros disso são o PDT, PPS e PSB, onde fazer um acerto com a cúpula não significa garantir os votos, que têm de ser discutidos quase que caso a caso.
Desde o tempo de campanha, Lula havia avisado que quem o apoiasse nas eleições teria lugar certo no governo. A promessa está sendo cumprida com a distribuição de cargos para os aliados que subiram no palanque de Lula no primeiro e no segundo turno. As negociações precisaram ser apressadas porque o governo já verificou que enfrentará muitas dificuldades para levar adiante as reformas que considera fundamentais.
A primeira delas é a da Previdência, que o governo quer ver aprovada ainda este semestre e que já começou a ser bombardeada. Além da previdenciária, o governo quer dar andamento a pelo menos um dos pontos da reforma tributária.
Dos partidos aliados PDT, PPS, PL, PTB, PC do B, PSB e PV quase todos enfrentam problemas de divergência entre a cúpula e os parlamentares. O governo sabe que, em muitos desses casos, não adianta negociar com o presidente porque ele não tem controle sobre a bancada. Mas a expectativa é que com muita conversa será possível se chegar aos 308 aliados fiéis necessários para a aprovação de emendas no Congresso.

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