Lula coloca Telebrás sob suspeita
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quarta-feira, 10 de junho de 1998
Agência Estado 
Agência Estado(Não é permitida a reprodução total ou parcial desta foto dentro ou fora do Brasil)Torcida do trLula, Brizola e José Dirceu, devidamente paramentados, comemoram vitória da Seleção Brasileira O candidato do PT à Presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva, confirmado ontem em convenção nacional do partido realizada em São Paulo, condenou a privatização da Telebrás, vinculando-a à campanha do adversário tucano. Fernando Henrique Cardoso está dando de graça o maior patrimônio público desse País, possivelmente para fazer caixa dois para a campanha eleitoral, acusou. Lula considerou um absurdo a cisão da Telebrás da forma como está sendo feita, em 12 holdings, e disse que por isso o PT entrou com ação direta de inconstitucionalidade, no Supremo Tribunal Federal, contra a venda das ações. O governo começou dando um preço de R$ 40 bilhões, agora já está em R$ 13,4 bilhões e daqui a pouco sabe Deus para quanto vai, afirmou o petista.
As acusações de Lula foram endossadas pelo ex-governador do Rio Leonel Brizola (PDT), candidato a vice na chapa petista. Para que essa entrega da Telebrás agora, no fim do governo, a menos de 120 dias das eleições?, questionou Brizola. Ele considerou o leilão de privatização da estatal, marcado para 29 de julho, jogo sujo de interesses e disse que o governo está praticando atos suspeitos, com tentativa de modificar o edital de venda da empresa. Presidente do PDT, ele fez um apelo aos interessados nas ações da Telebrás: Investidores estrangeiros e nacionais, tomem cuidado, não se metam nisso!, pregou. Se Fernando Henrique Cardoso conseguir levar a cabo essa ignomínia, terá consequências funestas.
Antes do jogo entre Brasil e Escócia, o senador Roberto Requião (PMDB-PR) sentou-se ao lado dos representantes da frente de oposição - formada por PT, PDT, PSB, PC do B e PCB - e anunciou seu apoio a Lula. Em troca, o PT e outras siglas de esquerda darão aval à sua candidatura ao governo do Paraná.
De forma alguma e a nenhum preço marcharemos com Fernando Henrique, garantiu o senador. Ele disse que, mesmo se o PMDB mantiver a posição de apoiar a reeleição do presidente, na convenção do dia 28, desobedecerá à orientação de seu partido. A única alternativa para Requião não dar sustentação a Lula seria a candidatura própria do PMDB ao Planalto - hipótese considerada remota e que, se concretizada, abriria a possibilidade para um pacto de não-agressão.
Se o grupo governista do PMDB insistir em não lançar candidato, devo propor na convenção o apoio à chapa Lula-Brizola, contou Requião.
O jogo transformou a convenção do PT numa grande festa. No auditório do partido foi instalado um telão, em cima da bandeira petista. Sentados na primeira fileira, Lula, Brizola e o presidente do PT, José Dirceu, vestiram a camisa verde-amarela e, quando a partida começou, o debate político deu lugar à torcida. Brizola foi o único que acertou que o Brasil venceria por 2 a 1.


