O candidato da frente de oposição à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), cometeu ontem um ato falho ao criticar o ministro do Trabalho, Edward Amadeo, e acabou festejando o aumento do desemprego no País. Quando comentava que a expectativa otimista de Amadeo havia se frustrado em razão do crescimento do índice, Lula afirmou: ‘‘Como Deus é grande, e ainda não foi privatizado, o desemprego subiu.’’ Em seguida, corrigiu-se: ‘‘Isso não é motivo de alegria.’’
A declaração foi feita durante palestra na Faculdade de Saúde Pública da Universidade de São Paulo (USP), quando o petista apresentou as diretrizes de seu programa de governo para o setor. Lula acusou o presidente Fernando Henrique de ter transformado a saúde numa mercadoria. ‘‘O governo levou a rede pública de saúde à falência para incentivar as pessoas a comprarem plano médico privado’’, disse. O candidato entregou ao presidente do Conselho Regional de Medicina, Pedro Paulo Monteleone, uma carta-compromisso com propostas para melhorar a saúde no Brasil.
Entre as principais metas de Lula está a adição de R$ 1 bilhão nos gastos com saúde, por meio de remanejamento de recursos orçamentários e o aumento dos gastos anuais do setor por habitante para R$ 250 em até quatro anos. No documento, ele propõe a descentralização dos serviços de saúde, a reorganização e moralização da vigilância sanitária, a eliminação de doenças como dengue, febre amarela e malária e uma política de saúde bucal. O candidato compromete-se também a instituir nacionalmente o Programa Saúde em Casa e a combater os produtores e traficantes de drogas.
A carta-compromisso assegura a realização de abortos em hospitais da rede pública nos casos permitidos em lei. ‘‘Eu, pessoalmente, pela minha convicção religiosa de intransigente defesa da vida, e como marido, pai de cinco filhos e avô de dois netos, sou radicalmente contrário ao aborto’’, afirma Lula no documento. ‘‘Mas como presidente da República não poderei ignorar que no Brasil mais de 2 milhões de abortos são realizados anualmente de forma ilegal, clandestina, sem os necessários cuidados médicos.’’
Lula criticou o ministro da Saúde, José Serra, e o presidente Fernando Henrique pela demora no combate às falsificações de medicamentos. ‘‘Se Serra está tão preocupado com a saúde, por que ele não foi tão benevolente quando estava sentado em cima do dinheiro que deveria ter liberado para o setor quando foi ministro do Planejamento?’’, indagou.
Para Lula, o problema da saúde no Brasil ‘‘não é de dinheiro, mas de falta de determinação política’’. Ele não descartou a continuidade da CPMF para financiar a saúde, num eventual governo de esquerda. ‘‘Não descarto a possibilidade de precisarmos de recursos para saúde e discutirmos com a sociedade’’, afirmou. ‘‘O que eu acho é que o governo provou que não precisa da CPMF porque ela não foi aplicada no setor.’’Arquivo FolhaEm tempoLula corrigiu erro e disse que falhas na saúde acontecem por falta de determinação políticaCarla Franco
Agência

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