Lula cobra urgência na aprovação das reformas
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sexta-feira, 04 de abril de 2003
Agência Estado 
Barcarena (PA) - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva disse ontem, em discurso na Alunorte, em Belém, que se o Congresso não aprovar neste ano as reformas tributária e previdenciária, não o fará em 2004, por causa das eleições municipais, e nem em 2005, em função das expectativas das eleições presidenciais. ''Não temos muito tempo'', disse Lula, ao inaugurar, simbolicamente, a terceira linha de produção de alumina (matéria-prima do alumínio) na refinaria de Alunorte.
De acordo com o presidente, a reforma tributária que chegará ao Congresso é o resultado de um entendimento com os 27 governadores e com o apoio da maioria dos prefeitos. ''A reforma tem que ser no interesse da sociedade brasileira, e é assim que os deputados precisam senti-la quando ela chegar ao Congresso. Não quero que deputados e senadores digam: 'Essa proposta é do PT, vamos derrotá-la', ou 'Essa proposta é do Lula, vamos derrotá-la'', e acrescentou: ''O Brasil não é do Lula, o Lula é que é do Brasil; o Brasil não é do PT, o PT é que é o partido do Brasil''.
Em seu discurso, Lula criticou a classe política e disse não ser ''possível que o Brasil continue a ser pensado apenas de eleição em eleição''. Em tom de brincadeira, ao comentar as vantagens das condições da natureza no Brasil, como a inexistência de vulcões, maremotos e terremotos, por exemplo, Lula afirmou: ''Deus, de vez em quando, castiga um pouco o Brasil''. Depois perguntou: ''Onde é que está o castigo?'' E respondeu: ''Em determinado setor da classe política.'' Mas não especificou a qual setor se referia.
O presidente reafirmou sua convicção de que muitas coisas dependem de vontade política: ''Faz vinte anos que ouço as principais figuras políticas do País falarem em reforma tributária. Entretanto, não fizeram um gesto para fazê-la''. Lula disse também que os governantes brasileiros deram, até agora, poucos passos no sentido de fazer a reforma da Previdência. ''Ela terá o princípio da Justiça social, vai pagar mais quem tem mais, e ela terá um objetivo: desonerar aqueles que investem na geração de empregos, aqueles que investem na exportação, para que a gente possa cobrar de outros setores da economia.'' Lula disse ainda que ''o pior, na economia, já passou, e tem até gente que não está satisfeita'' com isso.


