Brasília - Na quarta reunião ministerial do seu governo, na Granja do Torto, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou dos seus ministros uma visão de conjunto das ações do governo e trabalho de equipe. Segundo o presidente, a reunião inaugurava uma nova sistemática de trabalho do governo, pela qual todos os ministros deverão enviar relatórios mensais de atividades ao Palácio do Planalto. Esses relatórios serão repassados a todos os integrantes do governo, para que cada ministro saiba o que seus colegas estão fazendo.
Depois da fala de abertura do presidente, que durou poucos minutos, cada ministro teve dez minutos para fazer um relato sobre as ações da sua área e as dificuldades encontradas nos primeiros quatro meses e meio de governo. A reunião começou às 9h20 e não havia terminado até as 20h de ontem. Segundo um participante, os ministros justificaram a lentidão inicial dos primeiros meses de governo afirmando que estavam em fase de montagem de equipe, além de estarem se familiarizando com a máquina. Eles asseguraram ao presidente que haverá maior rapidez no andamento dos projetos dos seus respectivos ministérios.
''As ações estão deslanchando. É natural que isso ocorra só agora (depois de alguns meses)'', afirmou o ministro-chefe da Secretaria Geral da Presidência, Luiz Dulci.
A reunião também serviu para o governo sinalizar com o descontingenciamento (desbloqueio) de recursos orçamentários, sem no entanto marcar data para isso. Dizendo-se otimista com o aumento das receitas orçamentárias, o ministro do Planejamento, Guido Mantega, afirmou apenas que isso ocorrerá em breve.
Questionado sobre uma data específica, Mantega declarou apenas que o desbloqueio ocorrerá até o fim do ano. Em 14 de fevereiro, o governo bloqueou R$ 14,1 bilhões do orçamento dos ministérios, como parte do esforço para alcançar a meta de superávit fiscal acertada com o FMI (Fundo Monetário Internacional).
A reunião foi fechada à imprensa. Participaram da reunião 30 ministros e quatro secretários com status de ministro, além dos líderes do governo na Câmara, Aldo Rebelo (PC do B-SP), no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP), e no Congresso, Amir Lando (PMDB-RO). Os ministros Humberto Costa (Saúde) e Luiz Fernando Furlan (Desenvolvimento) estavam viajando. O vice-presidente José Alencar, que tem defendido a queda dos juros, estava com febre e não participou de parte da reunião.

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