Lula cobra resposta rápida de colaboradores
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segunda-feira, 01 de setembro de 2003
Agência Estado 
Brasília - Preocupado com a repercussão das informações sobre o loteamento político do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou ontem dos colaboradores respostas rápidas para a agenda negativa que começa a rondar o Palácio do Planalto, com denúncias de nepotismo e partidarização da máquina federal. A administração federal identificou a saúde como a área mais vulnerável ao fogo cruzado de adversários, principalmente do PSDB. Agora, na tentativa de evitar que a crise respingue na imagem de Lula, o Planalto pressiona o ministro da Saúde, Humberto Costa, a esclarecer os fatos de forma mais ágil.
Não bastassem colapso do Instituto Nacional do Câncer (Inca) e as dificuldades na Fundação Nacional de Saúde (Funasa), a crise no Ministério da Saúde chegou à Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa). Dos dez integrantes da Câmara Técnica de Medicamentos (Cateme), nove entregaram os cargos na sexta-feira, com críticas ao que chamaram de falta de transparência da Anvisa.
A renúncia coletiva teve como motivo alegado a polêmica em torno dos pareceres da Cateme, instância consultiva que opina sobre a aprovação ou não de novos remédios no mercado. Os conselheiros da câmara, que não recebem salário e foram nomeados na gestão do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso, acusam o PT de patrulhamento ideológico. Dizem que a atual administração queria substituí-los de todo jeito e argumentam que só por isso o médico Sérgio Nishioka, nomeado para a Gerência de Medicamentos Novos, Pesquisas e Ensaios Clínicos da Anvisa, decidiu tirar da internet os pareceres emitidos por aquele colegiado.
Nem neste governo nem no anterior houve o dedo da política partidária nas nossas decisões, afirmou o diretor-presidente da Anvisa, Cláudio Maierovitch Pessanha. Não sei qual é a cor partidária dos componentes da Cateme e não quero imaginar que tenha havido articulação de qualquer natureza por trás disso, ainda que sejamos tentados a pensar nesta hipótese.
Pessanha disse ver uma estranha coincidência de fatos negativos na área de saúde. O presidente da Anvisa pôs na internet uma nota de desagravo a Nishioka, com o argumento de que havia algo a mais na renúncia conjunta. As suspeitas de complô recaem sobre os tucanos.


