Lula cobra lealdade da base aliada para garantir MPs
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domingo, 23 de março de 2008
Leonencio Nossa e<br>Luciana Nunes Leal<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrará hoje de presidentes de partidos e líderes da base aliada lealdade na disputa que trava com a oposição para não alterar as regras de tramitação das medidas provisórias. No encontro do conselho político, no Palácio do Planalto, ele pedirá explicações sobre a aliança momentânea de parlamentares governistas com opositores para obstruir a pauta de votações e impedir a análise de MPs enviadas pelo governo. Enquanto tenta derrubar a proposta que enfraquece as medidas provisórias, instrumento de governo que não depende de análise prévia do Congresso para entrar em vigor, o Planalto quer acabar com rebeliões na base aliada visando postos na Câmara.
É o caso da bancada do PR, partido aliado, que decidiu ajudar a oposição trancar a pauta para exigir que o deputado Sandro Mabel (GO) seja indicado relator da comissão especial da reforma tributária. O PT insiste no nome do deputado Antonio Palocci (SP). Setores do PMDB também estão em disputa pela vaga.
Durante todo o dia, Lula terá reuniões e audiências para discutir as mudanças nas regras de tramitação das medidas provisórias. Ele discutirá o assunto na reunião da manhã da coordenação política, que reúne os ministros mais influentes do governo, no encontro com os presidentes de partidos, logo depois, e numa terceira, no início da noite, com o ministro de Relações Institucionais, José Múcio, e líderes aliados.
O ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, deverá despachar boa parte do dia no Planalto. Ele tentará agilizar a análise e os ajustes do texto da proposta orçamentária 2008, aprovado pelo Congresso na semana passada. Lula quer sancionar o mais breve possível a proposta, o que deve ocorrer hoje ou terça-feira, segundo assessores. A complexidade do texto, porém, pode alterar as previsões do Palácio.
A sanção rápida do Orçamento, na análise do governo, dispensará o envio ao Legislativo de uma série de medidas provisórias nas próximas semanas, para liberação de créditos suplementares. Uma dessas medidas libera R$ 3 bilhões para obras de transposição do Rio São Francisco, prevista no Plano de Aceleração do Crescimento (PAC). Além de não aumentar o número de MPs paradas na Câmara, diante da obstrução feita pelos opositores, o governo avalia que novas medidas só acirrarão os ânimos no Congresso.
O líder do governo no Senado, Romero Jucá (PMDB-RR), disse que, nos encontros de amanhã, o presidente apresentará à base aliada a posição do Planalto. ''O governo quer que as medidas provisórias continuem sendo instrumentos de governabilidade'', afirmou. ''É isso que o presidente irá dizer aos líderes aliados, sem cobranças.''


