Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva cobrou o fim de práticas protecionistas que dificultam a exportação de produtos dos países em desenvolvimento, ao participar ontem de uma videoconferência preparatória do encontro do G-8, grupo que reúne os sete países mais ricos do mundo e a Rússia.
Segundo Lula, ''não soa bem'' falar em igualdade de oportunidades quando as nações em desenvolvimento vêem os setores mais competitivos bloqueados por ações desse tipo. ''É necessário superar a falta de coerência entre o discurso do livre comércio pregado por países avançados e sua prática muitas vezes protecionista justamente em relação aos produtos de interesse dos países em desenvolvimento.'' O encontro de cúpula do G-8 será dia 1º, em Evian, na França.
Ele, que comparecerá ao evento como convidado, falou ontem do Palácio do Planalto. Ao fazer um resumo do fraco desempenho econômico e social da América Latina nas últimas décadas, disse que é preciso aumentar e distribuir a renda nos países da região e que, para conseguir isso, é fundamental que haja um ambiente de crescimento econômico, comércio e investimentos. Desse modo, prosseguiu, os países desenvolvidos precisam acabar com a concessão de subsídios aos produtores e abolir a proteção dos mercados com barreiras tarifárias e não-tarifárias.
Lula apontou a responsabilidade proporcionalmente maior que os países ricos têm na luta contra as distorções do comércio internacional, fazendo uma referência indireta aos bilhões de dólares que eles gastam todos os anos para subsidiar setores econômicos que, de outro modo, não seriam competitivos.
Depois da Segunda Guerra Mundial, lembrou, os países ricos souberam reduzir as barreiras ao comércio e aos investimentos nos setores que eram do interesse deles. ''É chegada a hora de estenderem a isonomia de oportunidades, ao invés de retirarem a escada depois de terem alcançado o patamar superior do desenvolvimento econômico'', disse.
Na condição de ''relativa abundância'', os países ricos, de acordo com Lula, têm condições de contornar as resistências internas à abertura de espaços para as exportações das nações mais pobres. O presidente voltou a defender a criação de um fundo mundial de combate à fome, proposta que pretende levar à reunião.

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