Brasília - Em reunião realizada com o núcleo político do governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva pediu ontem que as investigações sobre o ex-subchefe da Assessoria Parlamentar da Casa Civil Waldomiro Diniz sejam amplas e não deixem margem para nenhuma dúvida num ano eleitoral. Lula ficou irritado ao saber que o chefe da Casa Civil, José Dirceu, tinha conhecimento, desde 2003, da denúncia de propina cobrada por Diniz e, mesmo assim, preservou-o. Agora, o Palácio do Planalto decidiu criar uma rede de proteção em torno de Dirceu e promete dar o troco no presidente nacional do PSDB, José Serra. Em outras palavras: retaliar.
A administração federal e os dirigentes petistas estão convencidos de que Serra e o senador Antero Paes de Barros (PSDB-MT), presidente da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Banestado, estão por trás da divulgação da fita de vídeo à revista ''Época''. Na fita, gravada durante a campanha eleitoral de 2002, o ex-subchefe da Assessoria Parlamentar da Casa Civil aparece pedindo propina para ele mesmo ao bicheiro Carlos Augusto Ramos, mais conhecido como ''Carlinhos Cachoeira'', além de mesadas de R$ 150 mil para as então candidatas a governador do Rio Benedita da Silva (PT), ex-ministra de Assistência e Promoção Social, e Rosinha Garotinho (PMDB), hoje governadora. Diniz comandava, na época, a Loteria do Estado do Rio de Janeiro (Loterj). O caso Diniz alterou a rotina do Planalto.
Depois de participar do encerramento da Conferência Anual da Rede Parlamentar de Países Membros do Banco Mundial, por vídeo, o presidente cancelou a agenda da tarde, na qual o único compromisso era o recebimento de credenciais dos novos embaixadores. Ficou horas reunido com assessores para traçar estratégias de enfrentamento da crise. O temor do Poder Executivo é com o efeito cascata das denúncias. Por isso, o Planalto tenta a todo custo bloquear a CPI e circunscrever o caso Diniz a um episódio que ocorreu antes do início da gestão petista, como destacou o chefe da Casa Civil, ao entregar a mensagem de Lula ao Congresso (leia texto nesta página), na abertura dos trabalhos do Legislativo. O tom da declaração de Dirceu foi decidido pela manhã, durante reunião do presidente com os ministros.
Na primeira conversa do dia, Lula pediu ao ministro da Justiça, Márcio Thomaz Bastos, informações sobre as providências adotadas no caso Diniz e o andamento das investigações. O presidente determinou que o procurador-geral da República, Cláudio Fonteles, acompanhe as apurações. Bastos afirmou que o delegado federal Antônio César Fernandes Nunes, responsável pelo inquérito sobre o caso Diniz, embarcara para o Rio, uma vez que as investigações estão concentradas na Delegacia de Defesa Institucional daquele Estado. O ministro da Justiça relatou ainda que Nunes tivera um encontro com o diretor-geral da Polícia Federal (PF), Paulo Lacerda, e com o diretor-executivo da instituição, delegado Zulmar Pimentel.
''O PT não vai ficar na defensiva'', afirmou o presidente nacional do partido, José Genoino. ''Vamos fazer o enfrentamento político com o PSDB e nos preparar pra a defesa. Não somos ingênuos nem aceitamos esse jogo sujo.'' Genoíno disse ainda que a legenda está em ''estado de alerta'' para defender o Executivo.

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