Lula cobra ação de ministros em ano eleitoral
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terça-feira, 20 de dezembro de 2005
Pedro Dias Leite e Luciana Constantino<br> Folhapress 
São Paulo - Na última reunião ministerial do ano mais difícil de seu governo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva lançou as bases para o embate político do ano eleitoral de 2006: ordenou que todos os ministros ''se apropriem'' dos dados positivos do governo e espalhem, ''na mídia, nos seus Estados, no Parlamento e onde mais forem instados'' a comparação em todas as áreas com o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002).
A determinação ficou clara nas palavras dos dois ministros destacados para passar à imprensa o resultado da reunião: enquanto Ciro Gomes (Integração Nacional) fazia questão de dizer que ''é possível afirmar, com muita segurança, que o governo Lula tem desempenho muito melhor que o anterior em todos os segmentos'', Jaques Wagner (Relações Institucionais) repetia que o presidente Lula quer que os ministros ''dominem o conjunto das realizações do governo para que façam a sua defesa''.
A reunião, a 12 do governo Lula e a quarta deste ano, foi totalmente fechada à imprensa, inclusive com os telefones de todos os participantes fora de alcance para ligações. Ela começou às 9h40 e não havia acabado até às 21 horas. No encontro anterior, em agosto, no auge da crise que balançou sua gestão, o pronunciamento do presidente foi transmitido ao vivo pela TV. Ontem à noite, ainda estava previsto um ''jantar de confraternização'' na Granja do Torto, com todos os ministros, mulheres e maridos.
Ao falar com a imprensa, Wagner e Ciro negaram que tudo o que antes vinha sendo especulado como assunto da reunião tenha sido de fato tratado ontem. Segundo os dois ministros, o presidente não pediu aos que desejem ser candidatos que deixem o governo antes do prazo legal (31 de março). ''Teoricamente, o compromisso é de ficar até o final do governo. Esse assunto deve ser tratado pessoalmente com cada ministro pelo presidente'', disse Wagner.
Pelo relato, Lula tampouco falou diretamente das divergências públicas entre integrantes do primeiro escalão: apenas pediu ''unidade'', sem mencionar os tropeços recentes, como a discussão entre Dilma e Palocci. De acordo com Wagner, um dos que defendem que Lula anuncie sua candidatura o quanto antes, o presidente voltou a dizer que ainda não decidiu se é candidato. Afirmou que, quando for a hora, revelará sua decisão.
Wagner e Ciro negaram que a crise que o ministro das Relações Institucionais insiste em chamar de ''turbulência'' tenha sido o fio-condutor do encontro. ''Foi um balanço de 36 meses de gestão'', afirmou o ministro da Integração Nacional.
Para ilustrar sua tese, meio em tom de brincadeira, meio sério, Ciro falou que os jornalistas só querem saber de ''futrica'', enquanto tentava recitar dados positivos do governo. De acordo com os dois ministros que falaram publicamente à imprensa, não foram citadas metas para o ano que vem.


