Agência Estado
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Barbudo chorãoAo som de ‘Lula-lá’, ex-presidente do PT não contém as lágrimas no jantar em sua homenagemO petista Luiz Inácio Lula da Silva lançou-se informalmente candidato à Presidência em 1998. Um jantar das esquerdas em homenagem a Lula, organizado pelo PT e servido no restaurante da Câmara dos Deputados, na quarta-feira, transformou-se numa festa de campanha. O encontro foi preparado como desagravo por partidários e amigos de Lula, mas ele não se conteve: fez um discurso emocionado, chorou, criticou o governo e avisou que ‘‘saiu do casulo’’ para voltar às ruas, aos debates, e às caravanas pelo País, em tempo integral.
Lula não admite publicamente a candidatura porque defende uma ampla discussão das esquerdas, que na quarta-feira pela manhã decidiram ter um candidato único para enfrentar o presidente Fernando Henrique Cardoso em 98. Além disso, terá de enfrentar a esquerda do PT que não o apóia. Lula deixou clara sua intenção, num discurso de confronto com o governo e de reação às denúncias de corrupção feitas pelo economista do PT Paulo de Tarso Venceslau contra ele e a máquina petista.
‘‘Eles cutucaram a onça com a vara curta’’, afirmou Lula. ‘‘Eu estava quieto no meu canto e querendo viver um pouco sem ser a figura central de uma campanha política, mas se Fernando Henrique Cardoso e seu governo acharam que com essas denúncias fariam Lula voltar para o casulo, eles se ferraram’’, criticou. ‘‘Porque a partir de agora será tempo integral: vou voltar às ruas, aos debates, vou fazer caravanas neste País afora.’’
Lula foi aplaudido, teve coro cantando o jingle de sua campanha eleitoral, ‘‘Lula-lᒒ, poemas e dedicatórias nas paredes do restaurante, festa com balões e discursos de colegas do PT, PDT, PV, PC do B, PPS, PSB e PCB. Contou piada sugerindo que Fernando Henrique se compara a Deus, chamou-se de cínico e completou: ‘‘Eu fui um dos que acreditaram que ele poderia ser diferente’’, disse. ‘‘Mas aqui eu tentei mostrar como nasce um ditador: o primeiro sintoma é a pessoa achar que é mais importante do que o resto das pessoas que vivem neste planeta.’’
Durante 40 minutos Lula discursou num tom agressivo, depois emocionado, contou as dificuldades da infância e chorou ao lembrar que com sua mãe aprendeu que não perderia a dignidade. ‘‘Sou mesmo um chorão’’, disse mais tarde. Durante o discurso, foi interrompido várias vezes pelos aplausos animados do grupo que apóia sua candidatura. Ao lado do eufórico deputado Marcelo Deda (PT-SE), cabo eleitoral e compadre de Lula, o deputado Jacques Wagner (PT-BA) chorava emocionado. ‘‘Nós estamos saindo da fossa’’, comentou o líder do PT, deputado José Machado (SP).

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