Lula chora e rasga autoelogios em discurso de despedida
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quarta-feira, 29 de dezembro de 2010
Alfredo Junqueira<BR> Agência Estado 
Suape - A voz embargou e as lágrimas encheram os olhos em dois momentos do emotivo discurso de despedida. Em sua terra natal, a quatro dias do fim do mandato, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se poupou de autoelogios e inflamou ontem uma plateia formada por empresários, políticos locais e, principalmente, operários, nas obras do complexo industrial e portuário de Suape, no litoral sul de Pernambuco, a 40 quilômetros de Recife.
''Saio da Presidência e o legado mais importante que eu quero deixar é que vocês podem chegar lá. Eu cheguei e vocês podem'', disse, em mais um discurso de despedida, dirigindo-se aos operários.
A solenidade marcava apenas o lançamento da pedra fundamental da nova fábrica de automóveis da Fiat, que entrará em operação daqui a três anos. O presidente informou que participará hoje de evento semelhante, o lançamento da pedra fundamental de uma nova refinaria no Ceará, classificando-os como ''pirraça''.
''Não poderia deixar de vir a Pernambuco faltando poucos dias para o fim do meu mandato. Daqui eu vou para o Ceará. Lá também vou fazer pirraça. Vou lançar pedra fundamental de uma refinaria que vai produzir 300 mil barris/dia'', anunciou Lula.
Em 27 minutos de discurso, Lula se autonomeou como o presidente ''que mais trabalhou na história do País'', ostentou alguns bons resultados da economia e garantiu ter sido o político ''que mais lutou pela liberdade de imprensa''. Ele declarou ainda que o Brasil será a quinta maior economia do mundo em 2016 e chegou a fazer graça ao dizer que foi no governo do ''torneiro mecânico socialista e sem diploma de nível superior'' que ocorreu a maior operação capitalização da história do capitalismo mundial.


