Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) convocou os presidentes dos partidos aliados para participar da reunião do conselho político do governo, na próxima terça-feira, que irá tratar da implantação do PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). O objetivo, segundo o ministro Tarso Genro (Relações Institucionais), é pedir apoio para que as medidas sejam aprovadas rapidamente pelo Congresso.
  Tarso sinalizou que não há disposição da parte do governo para discutir as medidas. ‘‘Nós não pretendemos modificar [a lista de] obras [que receberão investimentos] e as medidas econômicas que dão sustentação ao programa’’, afirmou.
  O ministro Guido Mantega (Fazenda) também já havia declarado que o governo não fará mudanças na lista de obras que receberão investimentos ‘‘para agradar aos governadores’’. A conversa com os partidos deve se resumir a um pedido do presidente para que aprovem as medidas. Tarso disse que o governo já recebeu o aval do PP, PSC, PMDB, PSB e PT para as medidas.
  A reunião do governo com os partidos aliados coincide com a dos governadores. Na segunda-feira, um grupo de governadores irá discutir em Brasília mudanças no PAC, que serão encaminhadas ao presidente no dia 6 de março, no encontro que terão com Lula, em Brasília.
  Tarso reconheceu que será preciso negociar com os partidos para garantir a aprovação das sete medidas provisórias e dos cinco projetos referentes ao PAC encaminhados ao Congresso. ‘‘Medidas dessa natureza só podem ser aprovadas através de acordo’’, disse.
  O ministro não considera que a disputa pela presidência da Câmara, que dividiu a base aliada, possa prejudicar a aprovação dos projetos e medidas provisórias que compõem o PAC. ‘‘Na coalizão o clima é tranqüilo. A divisão interna dos partidos não atinge a questão programática’’, justificou.
  O ministro de Relações Institucionais, Tarso Genro, deixou escapar ontem, em entrevista, que o Palácio do Planalto não está preocupado em aprovar as reformas política e tributária. ‘‘O governo Lula não precisa da reforma política para governar nem da reforma tributária’’, afirmou.
  Após a declaração ele fez uma série de ponderações, na tentativa de mostrar que o governo defende com unhas e dentes as reformas. Tarso Genro lembrou que o assunto esteve na pauta de discussões do governo e do Conselho Econômico e Social por longo tempo.
  Ele informou que, depois da disputa pelas presidências da Câmara e do Senado, o palácio enviará ao Congresso as propostas de reforma elaboradas pelo conselho, pela Ordem dos Advogados do Brasil e pelo Ministério da Justiça. A meta é tentar avançar nas negociações das reformas ainda no primeiro semestre deste ano. ‘‘O governo não pretende protagonizá-las, ser um coordenador desse processo’’, afirmou.
  Durante a entrevista, o ministro explicou que, embora ‘‘o governo Lula não precise das reformas’’, o Executivo considera uma ‘‘obrigação moral, política e institucional’’ defendê-las. ‘‘O presidente Lula entende que a reforma política e a tributária são importantes para o País, por isso quer realizá-las’’, ressaltou.
  O temor do governo, segundo ele, é que o empenho na defesa das propostas de reforma não seja bem recebido pela opinião pública e pelo Congresso. ‘‘Temos uma obrigação de realizar as reformas, mas isso não pode parecer uma chantagem em relação ao Congresso’’, completou.

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