Lula cede à pressão do governadores
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quinta-feira, 17 de julho de 2003
Agência Estado 
Brasília - O governo fracassou ontem na tarefa de construir a unidade da base aliada em torno da reforma da Previdência. Pela reação dos líderes partidários às concessões de última hora feitas pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva aos governadores, com prejuízo para os servidores públicos, o esforço de recomposição das forças aliadas terá de ser dobrado daqui para a frente. O trabalho de finalização do relatório sobre a reforma mostrou a fragilidade da base governista no Congresso, as disputas internas no PT e as divergências dentro do próprio governo.
O texto apresentado ontem dificilmente será aprovado pelo Congresso como está. ''O que o governo fez, ao fazer concessões aos governadores, foi atrapalhar a sua base. Lula tem de entender que as negociações do governo com os governadores já passou. Agora, quem negocia e dá as cartas é o Congresso'', disse o vice-líder do governo na Câmara, Beto Albuquerque (PSB-RS). ''Nós vamos fazer emendas, vamos mudar.''
O deputado Gastão Vieira (MA), líder em exercício do PMDB e aliado do presidente Lula, também atacou a forma como o relatório foi conduzido: ''O governo recuou porque quis e negociou mal porque quis.''
As negociações sobre a reforma, que já não eram fáceis numa base dividida entre defensores de privilégios de servidores públicos e outros mais preocupados com a governabilidade, terão de ser intensificadas daqui para a frente. ''Essa foi a primeira pedreira que o governo encontrou pela frente. E cedeu muito. Assim, fica difícil prever o que acontecerá com as outras'', avaliou Beto Albuquerque.
Lula e o ministro da Fazenda, Antônio Palocci, ficaram do lado dos governadores por uma questão fiscal. O ministro-chefe da Casa Civil, José Dirceu, postou-se ao lado do Congresso, na função de articulador político, mas também estava de olho nas contas públicas.
Lula e Palocci bateram o pé contra a manutenção da paridade - aposentadoria e salário da ativa rigorosamente iguais - e Dirceu tentou ajudar no Congresso. No fim, saiu a fórmula aceita por Lula: uma lei a ser feita no futuro dirá como será a paridade de vencimentos entre ativos e aposentados.
Essa decisão e uma outra, a de cortar as pensões acima de R$ 1.058, ajudaram a aumentar os descontentamentos na base. E os parlamentares que ficaram do lado do presidente Lula, como o deputado Paulo Rocha (PT-PA), procuraram amenizar o racha na base aliada. Segundo ele, a transferência do direito ao aposentado de proventos iguais aos servidores da ativa ocorreu porque é preciso evitar situações como as de hoje, em que gratificações por função acabam sendo incorporadas aos ganhos dos inativos.


