Lula causa boa impressão em banqueiros
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terça-feira, 20 de agosto de 2002
Eduardo Cucolo<br>Agência Folha 
São Paulo - Os banqueiros e economistas que participaram, ontem, de um encontro na Federação Brasileira de Bancos (Febraban) com o candidato à Presidência pelo PT, Luiz Inácio Lula da Silva, saíram satisfeitos com as afirmações feitas pelo presidenciável sobre o sistema financeiro.
''Ele se superou. Se houvesse aqui hoje uma eleição entre ele e o Ciro (Gomes, candidato da Frente Trabalhista), o Lula levava'', disse o representante de um banco estrangeiro.
Alguns dos presentes também comentaram a situação do candidato do governo José Serra (PSDB). ''Se o Serra continuar caindo e chegar a 8% nas pesquisas, tem gente aqui que já vota no Lula no primeiro turno'', disse o representante de um outro banco, após o encontro.
Entre os banqueiros com os quais a reportagem conversou, não houve nenhum que se manifestasse contra o candidato petista. ''O encontro foi muito bom. Acho que os dois lados ficaram muito surpresos um com o outro'', afirmou o representante de um dos cinco maiores bancos de varejo do Brasil.
Propostas - O PT e a Febraban vão montar um grupo de trabalho para analisar possíveis mudanças no sistema financeiro para aumentar o crédito para o setor produtivo.
Segundo o presidente da Febraban, Gabriel Jorge Ferreira, que esteve reunido com Lula, o partido manifestou interesse em ''não fazer nenhuma loucura ou adotar medidas que causem impacto negativo no sistema financeiro e na economia''.
''Aumentar o crédito é o desejo de todos, mas é preciso discutir a melhor forma de se fazer isso. O PT é um partido que está se revelando aberto ao diálogo'', afirmou Ferreira.
Segundo ele, não houve divergências entre o candidato e os banqueiros que estiveram presentes ao encontro, mas apenas ''tons diferentes em alguns assuntos'', como, por exemplo, em relação à reforma previdenciária.
O presidente da Febraban disse que tanto o PT como o candidato mostraram maturidade na discussão dos temas econômicos. ''Houve uma mudança de 94 e 98 para cá. Hoje, a visão do PT sobre assuntos econômicos deixou uma boa impressão'', declarou.


