Lula busca diálogo com a oposição
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quinta-feira, 18 de setembro de 2003
Agência Folha 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os ministros José Dirceu (Casa Civil) e Antônio Palocci Filho (Fazenda) assumiram diretamente as negociações com senadores dos partidos governistas e da oposição sobre a reforma tributária, para garantir pelo menos a aprovação da prorrogação da CPMF (Contribuição Provisória sobre Movimentação Financeira) e da DRU (Desvinculação das Receitas da União) neste ano.
Lula reuniu-se no Palácio do Planalto com a bancada do PT e, depois, com os líderes dos partidos aliados. Dirceu conversou com o senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA) por telefone e prometeu resolver os problemas da Bahia na tramitação do Senado. Palocci, por sua vez, telefonou para o senador Tasso Jereissati (PSDB-CE), convidando-o para uma conversa após seu retorno dos Estados Unidos.
O próprio presidente deverá chamar os líderes dos partidos de oposição para uma reunião no Palácio do Planalto, para tratar das reformas, segundo o líder do governo no Senado, Aloizio Mercadante (PT-SP). ''Essa conversa seria muito positiva. A posição dos líderes da oposição no Senado é muito construtiva. Não vejo dificuldade em se fazer o diálogo com a oposição, se for do interesse dos líderes'', disse Mercadante.
''Se me chamar para uma conversa sobre reformas, eu irei. Não vou para convescote, mas, para tratar de interesse nacional, vou'', já antecipou o líder do PFL, senador José Agripino (RN). O senador Antonio Carlos Magalhães não revelou qual foi a fórmula proposta por Dirceu, mas afirmou ter ficado ''mais confortável'' após a conversa. Segundo pefelistas, a solução apresentada é o adiamento da discussão sobre a cobrança do ICMS (Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços) na origem (Estado produtor) ou no destino (Estado consumidor).
''Espero que o governo não retalie a Bahia, como está fazendo, até porque os compromissos assumidos - inclusive na semana passada pelo presidente - não foram cumpridos na Câmara dos Deputados. Agora existe a promessa de resolver esses assuntos pendentes no Senado, o que espero que aconteça, pois, apesar do que aconteceu, ainda confio na palavra dos homens'', disse ACM. O PFL da Bahia queria retirar das novas regras do ICMS as empresas que receberam benefícios fiscais dos Estados. O objetivo era evitar que a Bahia perdesse parte da arrecadação vinda da fábrica da Ford instalada no Estado.
O líder do governo no Senado reconheceu que a definição das regras do ICMS é o ponto que encontra rejeição em todas as bancadas e que ''contamina'' até a discussão da reforma da Previdência no Senado.
No dia seguinte à aprovação da reforma tributária em primeiro turno na Câmara, a principal preocupação da base governista na casa é garantir a presença de 51 deputados na sessão de hoje. Se o governo não alcançar o quórum mínimo, o segundo turno deve ficar para o dia 1º de outubro.
Tradicionalmente as sextas-feiras são esvaziadas na Casa. Por mais de uma vez não houve sessão neste dia desde que a reforma chegou à Câmara, em abril.


