Osório (RS) - No momento em que enfrenta a pior crise de sua gestão e até seus discursos de improviso se tornaram repetitivos, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quebrou o protocolo onte, seguidas vezes durante visita a obras de duplicação da BR-101, no interior do Rio Grande do Sul, adotando um estilo de campanha eleitoral. Até a equipe de seguranças da Presidência foi pega de surpresa com as ações, que lembraram seus tempos de candidato. Ontem, por exemplo, Lula tomou o celular de uma pessoa para conversar com quem estava na linha, ajudou um operário a manobrar uma máquina perfuradora e, colocando literalmente seus pés na lama, decidiu escalar um barranco para cumprimentar pessoas que gritavam seu nome.
Nos últimos dias, em meio à turbulência política, o presidente tem buscado apoio em seus seguidores históricos, como sindicalistas, sem-terra, petroleiros e operários. Tudo numa estratégia montada pelo Planalto para desfocá-lo da enxurrada de denúncias de corrupção.
As viagens pelo país, aliás, estão de novo entre as prioridades de Lula. Nos últimos dois dias, por exemplo, participou de eventos em quatro cidades gaúchas (Bagé, anteontem, e Canoas, Osório e Maquiné, ontem). Pessoas dessa comitiva descreveram à reportagem um presidente animado, com a recepção da população, e nostálgico, com histórias de tempos de PT e sindicato.
Ontem à tarde, em Osório, Lula visitou o trecho em obras do km 93 da rodovia. No local, foi recebido por cerca de cem pessoas, que se amontoaram numa cerca organizada no acostamento. O presidente primeiro conversou com alguns operários e, a seguir, passou a cumprimentar um a um os presentes.
Foi quando ao se deparar com o vendedor Rafael Rosa Dias, 38, tomou-lhe o celular e passou a conversar com Antonieta Ferrari de Lima, 69, sogra de Dias. ''Como vai a senhora? Aqui é o presidente Lula, tudo bem? Tem um cafezinho aí para mim?'', disse o presidente, devolvendo em seguida o aparelho. ''Eu estava falando com o meu genro e nem acreditei que ele (Lula) pegou o telefone. Ele é uma gracinha'', disse Antonieta à reportagem, mais tarde, por telefone.
O clima eleitoral do presidente prosseguiu meia hora depois, já no canteiro de obras do km 68 da rodovia, no município de Maquiné. Lá, o presidente entrou numa perfuratriz hidráulica, que será usada para a abertura de um túnel. Sobre a máquina, usando um capacete branco, apertou botões e ensaiou algumas manobras com o controle manual.
A seguir, deu um susto em seus seguranças quando começou a escalar um barranco enlameado para chegar próximo às cerca de 300 pessoas que gritavam seu nome. Houve tensão, pois alguns seguranças chegaram a temer pela queda do presidente, já a uma altura de cerca de 20 metros.
Lula deu a mão a todos, abraçou alguns, mas, ao ser cercado diversas vezes por jornalistas, se recusou a responder sobre a possibilidade de a sua posse ter sido custeada por meio de empréstimos contraídos pelo PT em 2003.

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