Lula avalia consequências a guerra
PUBLICAÇÃO
quinta-feira, 20 de março de 2003
Agência Estado 
Brasília- Preocupado com as consequências da guerra para o Brasil, em especial na economia, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva dedicou parte da agenda de ontem a acompanhar a situação e discutir medidas que o governo poderia tomar. Um dos dados repassados ao presidente foi de que o Brasil dispõe de um estoque de combustível para que a rotina do País se mantenha por 33 dias. Depois desse período, poderiam ser necessárias algumas medidas de contenção, particularmente de gás de cozinha e de óleo diesel, ítens mais dependentes de importação.
Várias centrais de acompanhamento da guerra foram montadas pelo governo. A avaliação dos impactos na economia está sendo coordenada pela Casa Civil da Presidência da República. Mas não há uma frequência determinada, nem uma pessoa destacada para retransmitir informes a Lula. O trabalho tanto pode ser feito pelo ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim, como pelo assessor internacional, Marco Aurélio Garcia.
No Planalto, há dois centros de informações: o Gabinete de Segurança Institucional (GSI) e a Casa Civil. No Ministério da Defesa, está em pleno funcionamento o Centro de Controle de Operações do Comando Supremo, que é interligado às correspondentes salas de situação da Marinha, do Exército e da Aeronáutica. Todos os computadores estão interligados e abastecem também os terminais do GSI, formando o que os militares da Defesa chamam de C2I (Comando, Controle e Inteligência).
Há uma sala deste tipo também no Itamaraty. Estas áreas alertam o Planalto sobre a necessidade de serem tomadas medidas, se há ameaça terrorista ao País, necessidade de fazer uma vacinação em massa ou de promover a saída de brasileiros dos países limítrofes à guerra.
Desde que estourou a guerra, anteontem à noite, Lula acompanha a situação de perto. Ele trocou telefonemas até altas horas da madrugada.
Desde o início da semana, quando ficou claro que a guerra iria começar, o presidente intensificou o contato com chefes de governo. Nos últimos dias, de acordo com assessores, foram mais de 20 conversas. Só com o secretário-geral da ONU, Koffi Anann, Lula conversou três vezes.
Nas Forças Armadas, a guerra também foi assunto dominante hoje. A Aeronáutica, por exemplo, que tinha uma reunião do seu alto comando já marcada para tratar de questões operacionais, acabou dedicando o encontro para tratar da guerra.


