Lula ataca imprensa e promete 1 milhão de casas
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sexta-feira, 12 de março de 2010
Janaina Garcia<br>Reportagem Local 
Enquanto, do lado de fora do recém-inaugurado complexo de call center Dedic, algumas dezenas de crianças do Jardim Leonor (periferia de Londrina) gritavam do alambrado ontem pela presença do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), do lado de dentro do novo prédio Lula mandava um recado em tom superlativo: Se preparem, porque, se antes a gente fazia 200 mil casas, agora é um milhão. E daqui para frente vai ser mais aprendemos a resolver os problemas deste país.
Foi em um tom de ações desenvolvidas e a serem continuadas, mas diretamente atreladas ao comando da nação, o discurso de meia hora que o presidente fez ontem na sede da empresa, parceria de R$ 26 milhões entre os grupos Portugal Telecom e Total Empreendimentos. Ao lado da ministra-chefe da Casa Civil, a pré-candidata do PT à Presidência Dilma Rousseff, e do ministro do Planejamento, Paulo Bernardo, Lula repetiu a tônica de discursos feitos nos últimos dias em outras cidades brasileiras e conciliou as críticas ao que chama de notícias ruins na imprensa a um apelo eleitoral no qual comparou obras e realizações dos quase oito anos de seu governo com os ora 25, ora 100 anos de política da elite brasileira anos que, segundo ele, não deixaram a economia do Brasil crescer.
Hoje vemos meninos de 25, 30 anos sendo presos, o que é resultado de políticas irresponsáveis dos anos anteriores. Não tiveram oportunidade (os meninos) porque o país que não investe em educação, que não dá emprego, vai esperar o quê da sua educação?, questionou, eximindo-se. Na sequência, elencou números de investimentos em educação superior, habitação e até energia elétrica. Em um momento do discurso de cerca de meia hora sucedido dos 10 minutos em que Dilma falou , Lula aproveitou também para alfinetar as manifestações que recebe em Brasília das categorias que chama organizadas, mas não citou, por exemplo, manifestantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
Tem um tipo de gente que vai e vive em Brasília fazendo protesto, são policiais, são juízes, uma parte da elite desse país o povo,mesmo, não tem condições. Não faço discriminação com ninguém e mesmo os empresários sabem que nunca ganharam tanto dinheiro como no meu governo, falou, à mesa onde estavam também, além de políticos, executivos brasileiros e um português, da Dedic.
Voltado ao público feminimo, ao qual tanto ele quanto Dilma fizeram questão de se voltar, em trechos dos respectivos discursos, o presidente lembrou da Copa Mundo (2014) e das Olimpíadas (2016) que o Brasil vai sediar e emendou: Se não fosse a compreensão de vocês, tudo seria mais difícil. Mas não podmeos abdicar de ser, o século 21, o século do Brasil, da Índia e da China, já que o 19 foi da Europa, e o 20, dos Estados Unidos.
Se à mesa o presidente evitou explicitar a candidatura da ministra, o prefeito Barbosa Neto (PDT) foi mais direto ao usar a cerimônia para campanha à petista. No final do discurso em que elencou e, segundo a própria Dilma, foi rápido para arredondar números do programa Minha Casa, Minha Vida: de 3.368 moradias, desde 2009, para 4 mil, nos cálculos do prefeito os repasses do governo federal ao Município, Homero Barbosa, como foi chamado por Dilma e Lula, concluiu: Viva Lula, Londrina e o Brasil. Brasil pra frente, Dilma presidente. Antes, não poupou elogios ao presidente estadual de seu partido e pré-candidato ao governo do Estado, senador Osmar Dias: É um exemplo de caráter, honradez e coerência política, que é o que o Paraná mais precisa, discursou Barbosa.
A comitiva presidencial deixou o call center perto das 21 horas sem falar com a imprensa que teve o acesso barrado à saída do presidente ao ter de se manter no cercadinho onde foi mantida durante toda a solenidade. Segundo funcionários da Dedic, as ordens partiram da Presidência.


