Jaguaré (ES) O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) afirmou ontem ter evitado a divulgação de supostos casos de corrupção ocorridos o governo Fernando Henrique Cardoso (1995-2002), relatados a ele por ''um alto companheiro'', no início da gestão petista. A afirmação foi feita durante discurso de 35 minutos, em visita à nova estação de tratamento de óleo da Petrobras, localizada na Fazenda Alegre, em Jaguaré (norte do Espírito Santo), acompanhado da ministra de Minas e Energia, Dilma Rousseff, do presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, e do governador capixaba, Paulo Hartung (sem partido).
Sem citar o nomes, Lula disse que o episódio ocorreu quando um ''alto funcionário'' de seu governo, ''que exerce função muito importante'', foi prestar contas da situação econômica da instituição que acabara de assumir. ''Ele (o funcionário) me dizia simplesmente o seguinte: 'Presidente, a nossa instituição está quebrada. O processo de corrupção que aconteceu antes de nós foi muito grande. Algumas privatizações que foram feitas em tais lugares levaram a instituição a uma quebradeira''', afirmou Lula.
Em seguida, Lula continuou afirmando ter recomendado ao ''companheiro'' que ''fechasse a boca''. ''Eu disse ao meu companheiro: 'Olha, se tudo isso que você está me dizendo é verdade, você só tem o direito de dizer para mim. Aí para fora você feche a boca e diga que a nossa instituição está preparada para o desenvolvimento do nosso país'.''
O presidente justificou sua atitude de impedir a suposta denúncia como uma estratégia para não transmitir uma mensagem negativa de determinadas ''instituições da República'' à sociedade brasileira e ao exterior. ''Isso poderia ser bom se eu tivesse tomado a decisão de achincalhar o governo que eu substitui. E eu tomei uma decisão muito pessoal, e fiz com que o governo assumisse essa posição, que o presidente que tinha deixado (o governo) tinha feito aquilo que ele entendia que tinha de fazer e que eu, ao invés de ficar preocupado com o que ele deixou de fazer, tinha de me preocupar com o que eu tinha de fazer.''
Lula foi aplaudido ao terminar a frase por uma platéia formada por cerca de 400 pessoas, entre empregados da estatal e políticos de municípios da região, e comparou a situação ao casamento com uma mulher viúva. ''Numa linguagem mais popular, quando a gente casa com uma viúva, a gente não recusa a família, e a recíproca é verdadeira, porque a mulher quando casa com o viúvo leva uma penca de problemas.''
Além da estação de tratamento de petróleo, cujas obras serão finalizadas em junho, Lula sobrevoou no norte capixaba o Terminal Norte Capixaba, em São Matheus, e a Unidade de Tratamento de Gás de Cacimbas, em Linhares, ambas da Petrobras. Segundo o presidente da Petrobras, José Eduardo Dutra, o Estado do Espírito Santo é o segundo maior do país em volume de investimentos da estatal - R$ 2,6 bilhões em 2005. A produção de óleo, hoje, é de 40 mil barris por dia.

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