Lula assina hoje acordos de energia produzida em Itaipu
PUBLICAÇÃO
domingo, 20 de maio de 2007
Leonencio Nossa<br> Agência Estado 
Assunção - Em meio a críticas à postura ''imperialista'' do Brasil, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva assina hoje, em Assunção, uma série de acordos para minimizar as queixas da imprensa e da oposição do Paraguai ao preço pago pela energia de Itaipu que o país não consome.
Ontem foi anunciado um pacote de acordos, que inclui incentivo à produção de biodiesel, parcerias nas áreas de defesa e combate à febre aftosa. O conjunto de medidas, porém, não reduziu as reclamações à decisão do governo brasileiro de deixar de fora da agenda da viagem a renegociação do tratado de Itaipu, que estabelece as regras da venda de energia.
A um ano das próximas eleições presidenciais no Paraguai, a imprensa do país e os opositores do presidente Nicanor Duarte defendem uma relação mais dura com o vizinho ''poderoso''.
O governo brasileiro tenta desclassificar a avaliação de alguns analistas de que o Paraguai pode se transformar numa nova Bolívia - país que expropriou os bens da Petrobras e estabeleceu novas regras para o uso dos seus recursos naturais. ''O gás da Bolívia é da Bolívia, já o recurso hídrico de Itaipu é dos dois países, Brasil e Paraguai'', disse o embaixador brasileiro em Assunção, Valter Pecly.
Como estabelece o tratado de Itaipu, no entanto, o Paraguai é sim dono de 50% da energia produzida pela usina. Atualmente, o país só consome 6% da produção de Itaipu, repassando o restante do que tem direito ao Brasil. Pela energia excedente de Itaipu e pelos royalties do uso da água do rio Paraná, o Paraguai recebeu no ano passado US$ 373 milhões.
O governo brasileiro pode anunciar amanhã, também, medidas de novas regras aduaneiras na fronteira entre Foz do Iguaçu e Ciudad del Este. Os comerciantes da cidade paraguaia reclamam que os sacoleiros brasileiros só têm direito de comprar US$ 300 por mês. A atuação cada vez mais rigorosa da Receita Federal na fronteira tem causado protestos do lado paraguaio.
Em entrevista ontem à tarde, poucas horas antes do desembarque de Lula em Assunção, Valter Pecly também minimizou os editoriais dos jornais paraguaios, especialmente o editorial do ABC, o principal do país, que acusou o Brasil de manter uma política ''imperialista'', ''infame'' e de ''exploração'' em relação ao Paraguai. ''Não é uma linha que eu não esteja acostumado a ler todos os dias'', disse Pecly. ''O presidente Lula está sendo muito bem recebido.''


