Lula assina acordo comercial com Peru
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domingo, 24 de agosto de 2003
Agência Estado 
Lima - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva e os chanceleres da Argentina, do Paraguai e do Uruguai assinam hoje o acordo de livre comércio entre o Mercosul e o Peru. Esse será o principal tópico do encontro de Lula com o presidente peruano, Alejandro Toledo, durante sua visita oficial ao país vizinho, iniciada ontem à noite. Negociado exaustivamente desde a última quinta-feira, o acordo abre caminho para o início das conversas do Mercosul com os demais membros da Comunidade Andina de Nações (CAN) - a Colômbia, o Equador e a Venezuela - sobre a liberalização do comércio na América do Sul. O diálogo deverá começar ainda nesta semana.
''Avançamos exatamente como queríamos. Conseguimos aquilo que muitos diziam que seria impossível'', afirmou ontem o ministro das Relações Exteriores, Celso Amorim. ''Essa foi a minha prioridade nos últimos dias. Agora, vamos nos concentrar no acordo com os outros três países da CAN'', completou o chanceler.
Com aspectos diferentes dos acordos celebrados com o Chile e a Bolívia, em 1996, o livre comércio entre o Mercosul e o Peru está baseado em uma receita que considera as assimetrias e as sensibilidades das economias menores envolvidas. De todo o universo tarifário, de cerca de 8.500 itens, apenas o açúcar foi excluído do acordo - mesmo porque o produto ainda não foi incorporado às regras do Mercosul.
O acordo ainda traz um mecanismo que o Mercosul tradicionalmente rejeitou adotar - as medidas de salvaguarda. No acerto com o Peru, ficou definido que haverá salvaguardas -cotas tarifárias ou elevação acentuada de tarifas - em caso de aumento abrupto nas importações peruanas de cerca de 300 itens agrícolas provenientes do Brasil e da Argentina.
O chanceler brasileiro confirmou ainda a realização, em dezembro deste ano, de uma reunião dos presidentes dos países do Mercosul, da CAN e do Chile para definir os projetos prioritários de infra-estrutura da América do Sul. Segundo o assessor da Presidência para Assuntos Internacionais, Marco Aurélio Garcia, a idéia será definir um portfólio com 24 projetos - dois por país - orientados para a integração física, a inserção mundial e a geração de empregos.


