O presidente de honra do PT, Luiz Inácio Lula da Silva, está empenhado na articulação de uma frente de oposição que leve a população às ruas contra a política do presidente Fernando Henrique Cardoso.
A idéia é de integrar partidos de esquerda, setores descontentes com o governo federal e segmentos sociais organizados que, além de pressionar pela mudança política, definiriam um programa mínimo visando, especialmente, a enfrentar o desemprego.
Lula tomou o café da manhã anteontem com o senador Carlos Wilson (PSDB), que está divergindo do governo FHC. O senador apóia a formação da frente e disse que, se ela se consolidar, poderá estimular alianças de partidos insatisfeitos com a esfera federal nas eleições municipais.
O presidente de honra do PT evitou falar de eleições, mas reconheceu que a frente poderá ser embrionária de futuras coligações para 2000 e 2002. Ele acredita que o PT tem condições de ganhar 50% das grandes cidades brasileiras nas eleições do próximo ano. Ele apontou como uma das dificuldades da frente de oposição o fato de políticos conservadores, como os presidentes nacional do PMDB e líder do partido no Senado, Jáder Barbalho (PA), e do Congresso, senador Antonio Carlos Magalhães (PFL-BA), ter agora discursos oposicionistas. ‘‘Quando o barco está afundando, os ratos pulam fora’’, disse o petista.
O governador de Minas Gerais, Itamar Franco (PMDB), o ex-governador de Pernambuco Miguel Arraes (PSB), o presidente nacional do PDT, Leonel Brizola, e o senador Roberto Requião (PMDB) apóiam a frente de oposição.
Ontem, Lula fez a conferência de encerramento do Congresso Mundial de Direito Processual, no Centro de Convenções de Olinda. O petista chegou a Pernambuco anteontem, quando participou de um ato de protesto, em Pesqueira, no Agreste, contra a impunidade do assassinato do cacique mais conhecido como ‘‘Chicão’’, líder da tribo Xucuru, há um ano.

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