Lula aprova adiamento do recesso parlamentar
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terça-feira, 08 de junho de 2004
Gilse Guedes<br> Agência Estado 
Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva deu ontem carta branca aos presidentes da Câmara, João Paulo Cunha (PT-SP), e do Congresso, senador José Sarney (PMDB-AP), para que adiem o recesso parlamentar de julho para agosto. É que o governo concluiu que não haverá tempo hábil para votar no Legislativo, antes do recesso de julho, propostas consideradas importantes, entre elas, a Medida Provisória (MP) do Salário Mínimo, as agências reguladoras, a Parceria Público Privada (PPP), a Lei de Falências e a da Biossegurança.
A idéia de adiar o recesso parlamentar foi apresentada ontem por Cunha a Lula, em café da manhã no Palácio do Planalto. No encontro, também estava Sarney, e a conversa durou cerca de uma hora, tempo em que trataram de uma agenda mínima de projetos que precisam ser votados. Para convencer os congressistas de que a idéia tem de ser levada em frente, os presidentes da Câmara e do Congresso usarão o argumento de que, no segundo semestre, não haverá quórum no Legislativo para aprovar propostas defendidas pelo governo.
Ao chegar a um hotel em Brasília para participar de um seminário, Sarney defendeu a idéia apresentada pelo colega no café da manhã com o presidente da República. ''O País precisa, nesse momento, que o Congresso vote essas leis, que são necessárias para a retomada do crescimento econômico'', afirmou. Segundo o presidente do Congresso, esse é um plano importante para garantir mais velocidade nas votações. ''Não há uma paralisação (no Congresso), mas há necessidade de uma certa agilidade. Essa é uma proposta que nós vamos fazer às oposições. Só pode ser feito em comum acordo com a oposição'', disse. Sarney também cobrou da classe política mais empenho para aprovar as leis que tramitam no Congresso porque isso, de acordo com ele, ajudará o País a se desenvolver.
Também convidado para o evento, Cunha anunciou a idéia aos empresários presentes, na tentativa de mostrar que há compromisso da base aliada para tocar projetos defendidos pela classe empresarial. ''Como agosto e setembro são meses que antecedem a eleição, nós teríamos dificuldade de quórum. Então, a idéia é trabalhar junto às lideranças, tentando adiar o recesso de agosto, e trabalhar num esforço concentrado, governo, oposição, Câmara e Senado, para que a gente possa votar esses projetos.''
Governistas - O porta-voz da Presidência da República, André Singer, comunicou ontem que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva vai se reunir hoje com os líderes governistas no Senado. Segundo Singer, o encontro faz parte da rotina que já se estabeleceu com os líderes da base do congresso, desde o mês passado. Segundo ele, em maio, em encontro com as lideranças, o presidente já havia adiantado o seu desejo de que estes contatos passassem a ser rotineiros.


