Lula apresenta 8 propostas contra crise
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quarta-feira, 30 de setembro de 1998
Agência Folha 
O candidato do PT à Presidência, Luiz Inácio Lula da Silva, divulgou ontem, em São Paulo, oito medidas que seriam adotadas em um eventual governo petista para combater a crise financeira. Entre as propostas, a principal é a que sugere o controle temporário do câmbio para evitar a fuga de dólares do país. Na verdade, algumas dessas medidas já tinham sido apresentadas pelos economistas do PT. A diferença é que o comando da campanha petista resolveu colocá-las em forma de decretos, projetos de lei e avisos presidenciais numa tentativa de mostrar à opinião pública que Lula tem propostas concretas para enfrentar a crise.
O controle do câmbio foi apresentado por meio de aviso presidencial, uma ordem escrita do presidente que não precisa passar pelo Congresso. Na visão dos petistas, com o controle do câmbio, mecanismo pelo qual o Banco Central estabelece limites para a saída de dólares do país, o governo poderia baixar as taxas de juros, alavancar o crescimento e diminuir o impacto dos juros no déficit público, hoje em torno de 7% do PIB (Produto Interno Bruto).
Podemos limitar a remessa de dólares das contas de pessoas que não moram no Brasil e que têm dinheiro aqui, controlar os gastos com cartões de crédito internacionais, as compras de brasileiros no exterior e incentivar o turismo interno , afirmou Lula. Os economistas do PT acham que o controle cambial seria o único meio capaz de conter a fuga de capitais. Eles não acreditam na tese de que esse mecanismo assustaria os investidores estrangeiros e limitaria ainda mais a entrada de dinheiro no país. A única maneira de salvar as reservas é fechando o câmbio agora e abrindo quando o mercado se acalmar , defendeu o economista Guido Mantega.
Outra medida divulgada propõe a duplicação do valor real do salário mínimo, hoje de R$ 130, em quatro anos. O projeto, que seria enviado para o Congresso em regime de urgência, determina que o primeiro reajuste seria dado em 1º de maio de 1999. Os petistas argumentam, porém, que o primeiro aumento teria de ser menor devido ao cenário de maior dificuldade econômica em que provavelmente o país vai estar mergulhado.
Os organizadores do último comício de Lula, que se realiza hoje no início da noite na Cinelândia, Rio de Janeiro, pretendem juntar 70 mil pessoas. Se a previsão se concretizar, o público de Lula nos comícios de encerramento na cidade terá caído pela metade a cada eleição: 300 mil em 1989, 150 mil em 1994 e 70 mil em 1998.


