O candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continuará ‘‘apostando’’ na crise internacional e seus efeitos no Brasil para tentar conquistar votos na próxima eleição. Apesar de a última pesquisa Ibope-Estado ter demonstrado que Lula caiu 1 ponto, para 22%, e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) subiu 2, indo para 49%, o candidato diz que não mudará o tom. Fernando Henrique, a crise e a imprensa foram os alvos de Lula em visita a São Carlos (SP) na manhã de ontem, cidade do candidato a vice na chapa de Marta Suplicy para o governo do Estado de São Paulo, Newton Lima Neto.
No cálculo de Lula, a preferência do eleitorado por sua candidatura poderia ser aumentada se ele conseguir convencê-los da gravidade que a crise representa. Ele aponta que 47% dos eleitores paulistas, o maior colégio, acreditam que o governo tomou as medidas erradas. Lula diz, também, que 26% dos eleitores de FHC podem mudar de voto. É neles que o petista aposta para evitar ser derrotado no primeiro turno.
Apesar de todos os ataques até agora, Lula quer que o ‘‘povo compreenda que está sendo conduzido para o matadouro’’, como definiu a atual situação. ‘‘Ele (FHC) sabe que a situação é grave e não tem coragem de assumir’’, acusou. ‘‘O presidente escolheu o caminho errado e vai pagar por isso’’, disse Lula. Para o candidato, o governo mente ao dizer que o País receberá ajuda externa. ‘‘Dinheiro de fora é marketing, futurologia’’, pregou. ‘‘Bill Clinton está pior do que imaginamos e a Europa não tem dinheiro para emprestar depois do que está acontecendo com a Rússia’’, comentou.
A ‘‘farsa’’ da ajuda externa, na opinião de Lula, ocorre também com declarações do presidente como a de que pedirá ajuda à oposição para votar as reformas. ‘‘Fernando Henrique não pode ficar mentindo para a sociedade e a imprensa transmitindo as mentiras dele como se fossem verdades’’, afirmou. Para Lula, o presidente tem 400 deputados e poderia fazer tudo sozinho, sem precisar da ajuda da oposição. ‘‘Somos apenas 120 deputados’’, disse ele. Apesar de reconhecer que a oposição está em minoria, Lula desdenhou um hipotético apoio de Ciro Gomes (PPS): ‘‘Ele tem poucos votos, não ajudaria’’.

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