Lula aposta que a crise pode dar votos
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quinta-feira, 17 de setembro de 1998
Nelson Carrer Júnior Agência Estado 
O candidato à presidência da República, Luiz Inácio Lula da Silva (PT), continuará apostando na crise internacional e seus efeitos no Brasil para tentar conquistar votos na próxima eleição. Apesar de a última pesquisa Ibope-Estado ter demonstrado que Lula caiu 1 ponto, para 22%, e Fernando Henrique Cardoso (PSDB) subiu 2, indo para 49%, o candidato diz que não mudará o tom. Fernando Henrique, a crise e a imprensa foram os alvos de Lula em visita a São Carlos (SP) na manhã de ontem, cidade do candidato a vice na chapa de Marta Suplicy para o governo do Estado de São Paulo, Newton Lima Neto.
No cálculo de Lula, a preferência do eleitorado por sua candidatura poderia ser aumentada se ele conseguir convencê-los da gravidade que a crise representa. Ele aponta que 47% dos eleitores paulistas, o maior colégio, acreditam que o governo tomou as medidas erradas. Lula diz, também, que 26% dos eleitores de FHC podem mudar de voto. É neles que o petista aposta para evitar ser derrotado no primeiro turno.
Apesar de todos os ataques até agora, Lula quer que o povo compreenda que está sendo conduzido para o matadouro, como definiu a atual situação. Ele (FHC) sabe que a situação é grave e não tem coragem de assumir, acusou. O presidente escolheu o caminho errado e vai pagar por isso, disse Lula. Para o candidato, o governo mente ao dizer que o País receberá ajuda externa. Dinheiro de fora é marketing, futurologia, pregou. Bill Clinton está pior do que imaginamos e a Europa não tem dinheiro para emprestar depois do que está acontecendo com a Rússia, comentou.
A farsa da ajuda externa, na opinião de Lula, ocorre também com declarações do presidente como a de que pedirá ajuda à oposição para votar as reformas. Fernando Henrique não pode ficar mentindo para a sociedade e a imprensa transmitindo as mentiras dele como se fossem verdades, afirmou. Para Lula, o presidente tem 400 deputados e poderia fazer tudo sozinho, sem precisar da ajuda da oposição. Somos apenas 120 deputados, disse ele. Apesar de reconhecer que a oposição está em minoria, Lula desdenhou um hipotético apoio de Ciro Gomes (PPS): Ele tem poucos votos, não ajudaria.


