Brasília - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anuncia hoje, em Fortaleza (CE), a recriação da Superintendência do Desenvolvimento do Nordeste (Sudene), extinta em 2001 no rastro das denúncias de corrupção que também levaram o governo a acabar, na época, com a Superintendência de Desenvolvimento da Amazônia (Sudam). Em agosto, Lula deverá participar de ato semelhante para ressuscitar a Sudam. As duas superintendências serão subordinadas ao Ministério da Integração Nacional, comandado por Ciro Gomes.
Parlamentares de oposição criticaram a escolha de Fortaleza, reduto eleitoral de Ciro, para marcar o relançamento da Sudene. Motivo: a sede da autarquia fica no Recife (PE). ''É estranho que o anúncio não seja em Pernambuco. Talvez tenha sido porque o ministro Ciro é do Ceará'', provocou o senador José Jorge (PFL-PE).
No Ministério da Integração Nacional, a informação é de que a escolha da cidade foi do presidente Lula. Ciro não quis responder ao que considerou como ''bobagem''. Disse que a nova Sudene ''nasce blindada contra a corrupção''. A diferença para a Sudene velha de guerra, de acordo com o ministro, é que, para financiar os grandes e médios empreendimentos haverá debêntures não conversíveis em ações. Já para a concessão de crédito às micro e pequenas empresas serão utilizados títulos, como em qualquer operação bancária. ''A lógica não é mais de recurso a fundo perdido'', afirmou Ciro. ''Além disso, apurada uma fraude, a dívida passa a ser cheia, sem subsídio, e vence tudo à vista.'' O orçamento da Sudene para 2004 está estimado em R$ 1,9 bilhão.
O ministro assegurou que haverá uma ''graduação de pontos'' para a escolha dos beneficiados porque ''os incentivos não serão disponibilizados indiscriminadamente''. Um dos critérios: somente terá direito a crédito a empresa que conceder participação nos lucros a seus funcionários. Outro: distância dos grandes centros e proximidade do semi-árido. O objetivo, segundo o governo, é evitar desequilíbrios regionais. Um comitê deliberativo presidido por Lula - e integrado por governadores, ministros, empresários e trabalhadores - definirá quais setores devem ser apoiados.
Na semana passada, Ciro também apresentou para deputados e senadores da chamada Amazônia Legal, que inclui nove Estados, a proposta de recriação da Sudam - foco dos principais casos de corrupção investigados pela Justiça. As denúncias levaram à queda do então ministro da Integração Nacional, Fernando Bezerra, e à renúncia do ex-presidente do Senado e hoje deputado federal Jader Barbalho (PMDB-PA). As investigações da Polícia Federal e do Ministério Público indicaram um rombo de cerca de R$ 2 bilhões.

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