Lula anuncia R$ 1 bilhão do PAC para favelas do Rio
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quinta-feira, 06 de março de 2008
Alexandre Rodrigues<br>Agência Estado 
Rio - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chega hoje ao Rio para uma maratona de visitas a três favelas que receberão quase R$ 1 bilhão de recursos do Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) para reurbanização. Protegidos por um forte esquema de segurança, o presidente e a ministra da Casa Civil, Dilma Rousseff, subirão em palanques montados em comunidades dominadas pelo tráfico de drogas ao lado do governador do Rio, Sérgio Cabral (PMDB). Juntos, os complexos de favelas do Alemão, Manguinhos e Rocinha abrigam 365 mil pessoas em condições precárias de saneamento e que sofrem com a falta de outros serviços públicos elementares.
O PAC Favelas, que também vai levar obras ao Morro do Preventório, em Niterói, e ao Complexo do Cantagalo, Pavão e Pavãozinho, na zona sul da capital, é considerado o principal projeto do governador. Planos para estender as obras aos complexos do Jacarezinho e da Penha estão em estudo. As obras terminarão em 2010 e poderão credenciar Cabral à reeleição. Também poderão ajudar o candidato de Lula à sua sucessão a ganhar votos no Rio. Sem os recursos federais, que custeiam cerca de 80%, o governo estadual não teria como fazer as obras.
Em novembro do ano passado, Lula já havia feito questão de acionar o primeiro bate-estacas das obras no Cantagalo, na primeira incursão de uma comitiva presidencial numa favela de encosta carioca. Aplaudido, abraçou populares e prometeu que os moradores terão orgulho do lugar onde vivem. Apesar do tráfico, que se retraiu, não houve incidentes em relação à segurança. Dessa vez, o presidente deverá levar Dilma, gestora do PAC. Poderá ser um teste para a ministra, objeto de especulações eleitorais, num palanque de verdade.
Nas três favelas que receberão o presidente, o clima é de ansiedade e apreensão. A maioria dos moradores que ver Lula de perto, mas também se preocupa com a perspectiva de que as obras venham acompanhadas de operações policiais sangrentas, como as que já levaram a mais de 50 mortes só no Alemão desde o ano passado. Considerado pela polícia como o quartel-general do Comando Vermelho no Rio, o Alemão é dominado por uma das quadrilhas mais bem armadas da zona norte. Integram a mesma facção os bandidos de Manguinhos, também na zona norte, uma das favelas mais isoladas da cidade, com baixíssimos índices sociais. Apenas dois postos de saúde e quatro escolas atendem a uma população de 65 mil pessoas. Na zona sul, a Rocinha é dominada pela facção Amigos dos Amigos (ADA), considerada menos beligerante.
Nos cálculos de Vicente Loureiro, subsecretário estadual de Projetos de Urbanismo, as obras despejarão na economia das favelas R$ 10 milhões por mês durante três anos - um volume de recursos maior do que o movimentado pelos traficantes. Desse total, 30% serão pagos em salários. O número de empregos diretos e indiretos pode chegar a 10 mil.


