Brasília O presidente eleito, Luiz Inácio Lula da Silva, anunciou ontem 24 nomes que faltavam para completar sua equipe. Desses, 18 serão ministros. Os demais ocuparão órgãos vinculados à Presidência ou a ministérios.
Como já havia anunciado 11 ministros, Lula terá 29 pessoas no primeiro escalão. Nessa lista, estão incluídas a Secretaria Geral da Presidência, a Secretaria de Comunicação Social, o Ministério Extraordinário da Segurança Alimentar e do Combate à Fome, o Ministério da Assistência e Promoção Especial, a Corregedoria Geral da União e o Gabinete de Segurança Institucional.
A equipe de ministros é dominada pelo PT, que terá 16 representantes. Sete ministros serão de partidos aliados. Haverá dois empresários, dois diplomatas, um advogado criminalista e um general.
''Meu papel é o de maestro'', afirmou Lula, ao dizer que será ''companheiro'' nas horas boas e ruins. Bem humorado, fez brincadeiras com vários dos nomes anunciados. ''Se dependesse da minha vontade, lançaria um ministro por dia'', disse.
Como a exclusão do PMDB do ministério deixa Lula sem maioria formal no Congresso, o futuro chefe da Casa Civil e articulador político, José Dirceu, disse ontem: ''Nós vamos formar maioria na Câmara e no Senado. Até 1º de fevereiro''.
Com o PT e os partidos aliados, Lula terá o apoio de 219 dos 513 deputados federais e de 31 dos 81 senadores. Para tentar obter maioria, será fundamental negociar com PMDB e com eventuais dissidentes de PSDB e PFL. O PPB tem uma parcela simpática ao petista.
Logo no começo do governo, a intenção de Lula é tentar uma nova negociação com o PMDB, desde que haja troca de comando partidário, pois hoje domina a cúpula a ala que se opôs ao petista na eleição.
Lula, que passou o fim de semana aparando arestas no PT e entre aliados, dedicou a manhã e a tarde de ontem para a formalização dos últimos convites. Ele se reuniu com os ministeriáveis num hotel de Brasília.
Dos 18 ministros anunciados ontem, 9 são petistas. O economista José Graziano ocupará a pasta da Segurança Alimentar e do Combate à Fome. A governadora do Rio, Benedita da Silva, chefiará o Ministério da Assistência e Promoção Social. E o corregedor-geral da União, o deputado federal Waldir Pires (PT-BA), terá status de ministro.
O governador Olívio Dutra (RS) vai para o Ministério das Cidades, pasta que será criada. Ex-deputado federal, amigo e um dos mais influentes auxiliares de Lula, Luiz Gushiken comandará a Secretaria de Comunicação Social.
Miguel Rosseto, vice-governador do Rio Grande do Sul e expoente da esquerda petista, será o ministro do Desenvolvimento Agrário. O deputado federal Ricardo Berzoini (SP) chefiará a Previdência. Secretário-geral do PT, Luiz Dulci será o secretário-geral da Presidência.
Apesar da pressão para rever o nome, anunciou como ministro do Planejamento o economista Guido Mantega. Assessor econômico de Lula desde 1990, a indicação de Mantega contempla o grupo de economistas do PT.
Todos os sete ministros aliados também foram anunciados ontem. O dirigente do PSB, Ricardo Amaral, será ministro da Ciência e Tecnologia. O deputado federal Miro Teixeira (PDT), ministro das Comunicações. O cantor Gilberto Gil (PV), ministro da Cultura. O deputado federal Agnelo Queiroz (PC do B-DF), ministro dos Esportes.
O ex-presidenciável do PPS, Ciro Gomes, chefiará a Integração Nacional. Ele se reuniu duas vezes ontem com Lula e fechou sua participação. O deputado federal Anderson Adauto (PL-MG) será ministro dos Transportes. Outro deputado federal, o petebista Walfrido Mares Guia (MG), será ministro do Turismo.
O diplomata José Viegas, embaixador em Moscou, será ministro da Defesa. O general Jorge Armando Félix comandará o Gabinete da Segurança Institucional, uma das pastas que fica no Palácio do Planalto.
Viegas, Dutra e o ex-prefeito de Porto Alegre Tarso Genro, que comandará a secretaria de Desenvolvimento Econômico e Social, não compareceram.

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